Na vida profissional dos angiologistas e dos cirurgiões vasculares as complicações do Diabetes são uma realidade inescapável. As seguintes afirmativas sobre o pé diabético estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)O “pé de Charcot” é caracterizado apenas pela deformidade dos ossos dos pés.
Errada, porque o pé de Charcot não é apenas deformidade óssea: é uma artropatia neuropática destrutiva com fraturas, subluxações, instabilidade e deformidades progressivas.
- B)A neuropatia periférica associada à arteriopatia favorece o aparecimento de lesões tróficas que frequentemente se infectam colocando em risco não somente a viabilidade do membro, como a própria vida do paciente.
Certa, pois neuropatia e isquemia favorecem lesões tróficas que infeccionam com facilidade e podem ameaçar o membro e a vida.
- C)Há quatro compartimentos no pé: medial, central-plantar, central-profundo e lateral.
Certa, a compartimentalização clássica do pé inclui os compartimentos medial, central-plantar, central-profundo e lateral.
- D)O seu diagnóstico é principalmente baseado nos achados clínicos e deverá ser confirmado com exames de imagem.
Certa, o diagnóstico é predominantemente clínico e a imagem é usada para confirmar e avaliar extensão e complicações.
- E)A radiografia deverá ser o exame inicial para avaliar fraturas e subluxações nos pés.
Certa, a radiografia costuma ser o exame inicial para pesquisar fraturas, subluxações e outras alterações ósseas do pé diabético.
Gabarito: A
O pé diabético é uma das complicações mais temidas do diabetes porque junta, no mesmo cenário, neuropatia, isquemia e infecção. Quando a sensibilidade protetora cai, o paciente continua andando sobre microtraumas repetidos, e aí aparecem calos, úlceras, deformidades e, em casos mais graves, infecção profunda e até risco de amputação. Não é drama de prova: na prática, é uma das maiores causas de internação e perda de membro em diabéticos. O diagnóstico é essencialmente clínico, com inspeção cuidadosa dos pés, avaliação de pulsos, sensibilidade e presença de lesões. Os exames de imagem entram como complemento, principalmente para pesquisar fraturas, subluxações, osteomielite e alterações compatíveis com osteoartropatia neuropática. Por isso, a radiografia costuma ser o exame inicial, especialmente quando se quer identificar alterações ósseas e articulares. O ponto-chave da questão é o pé de Charcot. Ele não é definido apenas por deformidade óssea. Trata-se de uma artropatia neuropática destrutiva, com inflamação, instabilidade articular, fraturas, subluxações e deformidades progressivas, geralmente em pés com perda de sensibilidade. Ou seja, reduzir isso a “apenas deformidade dos ossos” simplifica demais e fica errado. As demais alternativas estão alinhadas com a fisiopatologia do pé diabético: neuropatia e arteriopatia favorecem lesões tróficas que infectam com facilidade; a anatomia compartimental do pé é tradicionalmente descrita em compartimentos medial, central-plantar, central-profundo e lateral; e a imagem, com radiografia como porta de entrada, ajuda a confirmar e caracterizar a gravidade. Em resumo: no pé diabético, o problema raramente vem sozinho, e a prova cobra justamente essa visão integrada.