A comissão de controle de infecção hospitalar de uma maternidade notou que a incidência de infecção puerperal estava alta. Após análise dos casos, recomendou o uso de antibiótico profilático para determinadas situações. Assinale a opção que apresenta uma dessas situações.
- A)Parto com remoção manual da placenta.
Certa: a remoção manual da placenta aumenta o risco de infecção puerperal por manipulação uterina, indicando antibiótico profilático.
- B)Todas as gestantes em trabalho de parto.
Errada: trabalho de parto, por si só, não é indicação de antibiótico profilático para todas as gestantes.
- C)Quando constatado líquido amniótico meconial.
Errada: líquido amniótico meconial exige vigilância obstétrica, não profilaxia antibiótica materna de rotina.
- D)Ao realizar episiotomia.
Errada: episiotomia isolada não é indicação de antibiótico profilático.
- E)Em caso de laceração perineal periuretral.
Errada: laceração perineal periuretral não indica antibiótico de rotina, salvo situações especiais como contaminação ou infecção.
Gabarito: A
Na obstetrícia, antibiótico profilático não é para sair distribuindo para todo mundo, porque isso não reduz infecção de forma útil e ainda favorece resistência e efeitos adversos. A profilaxia entra quando o procedimento ou a situação aumenta claramente o risco de infecção puerperal, especialmente se houver manipulação uterina ou trauma importante do canal de parto. Um exemplo clássico é a remoção manual da placenta. Nesse caso, há introdução da mão na cavidade uterina, o que eleva o risco de endometrite e outras infecções puerperais. Por isso, faz sentido usar antibiótico profilático nessas situações, como medida preventiva. As demais alternativas trazem cenários que, isoladamente, não indicam profilaxia antibiótica de rotina. Líquido meconial, por exemplo, é um achado obstétrico relacionado principalmente a vigilância fetal, não a prevenção de infecção materna. Episiotomia e pequenas lacerações também não justificam antibiótico de rotina, salvo contextos específicos e complicações. Em resumo: a lógica aqui é risco aumentado por invasão/manipulação uterina. É por isso que o item A é o gabarito. Em diretrizes de obstetrícia e controle de infecção, a profilaxia antibiótica é reservada para situações selecionadas, e a remoção manual de placenta é uma delas.