Paciente masculino, 35 anos, trazido para a Emergência após uso de cocaína. Queixando-se de dor torácica anginosa típica. Ao exame: agitação psicomotora, PA 180 x 114 mmHg, FC 120 bpm, ausculta cardíaca e respiratórias normais. ECG taquicardia sinusal e primeira dosagem de troponina normal. Para o caso, a melhor conduta é
- A)AAS, betabloqueador, nitroglicerina e benzodiazepínico.
Errada, porque beta-bloqueador no uso agudo de cocaína pode agravar vasoespasmo por efeito alfa não antagonizado.
- B)AAS, nitroglicerina e benzodiazepínico.
Certa, pois AAS, nitroglicerina e benzodiazepínico tratam a suspeita de isquemia por cocaína e a hiperatividade simpática.
- C)betabloqueador, nitroglicerina e benzodiazepínico.
Errada, porque falta o AAS e ainda inclui beta-bloqueador, que deve ser evitado na fase aguda.
- D)betabloqueador, nitroprussiato e benzodiazepínico.
Errada, porque beta-bloqueador não é a melhor opção aqui e o nitroprussiato não é a conduta inicial clássica do caso.
- E)AAS, betabloqueador, nitroprussiato e benzodiazepínico.
Errada, porque inclui beta-bloqueador, o que aumenta o risco de piora do vasoespasmo coronariano na intoxicação por cocaína.
Gabarito: B
Dor torácica após uso de cocaína é sempre um alerta importante, porque a droga aumenta muito a descarga adrenérgica: sobe a pressão, acelera a frequência cardíaca e pode provocar vasoespasmo coronariano. Na prática, você pensa em síndrome coronariana aguda precipitada por cocaína até prova em contrário, mesmo com troponina inicial normal, porque a primeira dosagem pode vir negativa no começo do quadro. O tratamento inicial gira em torno de três pilares: ácido acetilsalicílico, nitrato e benzodiazepínico. O AAS ajuda no contexto de possível evento isquêmico, a nitroglicerina reduz o vasoespasmo coronariano e alivia a dor, e o benzodiazepínico diminui a agitação e a descarga simpática, que estão alimentando o problema. O ponto mais cobrado é este: beta-bloqueador não é a primeira escolha na intoxicação por cocaína, porque pode piorar a vasoconstrição ao deixar a ação alfa-adrenérgica sem oposição. Por isso, em prova, a conduta segura costuma ser evitar beta-bloqueador nesse cenário agudo, sobretudo sem controle prévio da crise simpática. Se a pressão estivesse muito difícil de controlar, outras medidas vasodilatadoras poderiam entrar no radar, mas a base inicial é mesmo controlar dor, vasoespasmo e agitação. É o tipo de caso em que o paciente está "ligado no 220" por fora, e você precisa tirar o corpo da crise simpática com calma e estratégia.