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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente masculino, 35 anos, trazido para a Emergência após uso de cocaína. Queixando-se de dor torácica anginosa típica. Ao exame: agitação psicomotora, PA 180 x 114 mmHg, FC 120 bpm, ausculta cardíaca e respiratórias normais. ECG taquicardia sinusal e primeira dosagem de troponina normal. Para o caso, a melhor conduta é

Gabarito: B

Dor torácica após uso de cocaína é sempre um alerta importante, porque a droga aumenta muito a descarga adrenérgica: sobe a pressão, acelera a frequência cardíaca e pode provocar vasoespasmo coronariano. Na prática, você pensa em síndrome coronariana aguda precipitada por cocaína até prova em contrário, mesmo com troponina inicial normal, porque a primeira dosagem pode vir negativa no começo do quadro. O tratamento inicial gira em torno de três pilares: ácido acetilsalicílico, nitrato e benzodiazepínico. O AAS ajuda no contexto de possível evento isquêmico, a nitroglicerina reduz o vasoespasmo coronariano e alivia a dor, e o benzodiazepínico diminui a agitação e a descarga simpática, que estão alimentando o problema. O ponto mais cobrado é este: beta-bloqueador não é a primeira escolha na intoxicação por cocaína, porque pode piorar a vasoconstrição ao deixar a ação alfa-adrenérgica sem oposição. Por isso, em prova, a conduta segura costuma ser evitar beta-bloqueador nesse cenário agudo, sobretudo sem controle prévio da crise simpática. Se a pressão estivesse muito difícil de controlar, outras medidas vasodilatadoras poderiam entrar no radar, mas a base inicial é mesmo controlar dor, vasoespasmo e agitação. É o tipo de caso em que o paciente está "ligado no 220" por fora, e você precisa tirar o corpo da crise simpática com calma e estratégia.

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