Senhora de 67 anos, hipertensa, sem outras comorbidades, quadro clínico caracterizado por febre alta e tosse produtiva. Rx de tórax com consolidação no lobo inferior direito. Ao exame físico apresenta PA 100/40mmHg, Fr 22irpm, Fc 104bpm, SO2 97%. Laboratório com 12.000 leucócitos, 6% bastões, ureia 54mg/dL, creatinina 1,1mg/dL, glicose 120mg/dL. Asinale a opção que indica corretamente o local de tratamento e o tipo de antibiótico para a pneumonia comunitária da paciente.
- A)Internação hospitalar / ceftriaxone e azitromicina.
Correta, porque a paciente tem indicação de internação hospitalar e o esquema ceftriaxone + azitromicina é adequado para pneumonia comunitária internada.
- B)Tratamento domiciliar / amoxicilina-clavulanato e azitromicina.
Errada, porque o quadro tem critérios de maior gravidade e não deve ser manejado em domicílio.
- C)Internação hospitalar em CTI / piperaciclina-tazobactam e claritromicina.
Errada, porque CTI e esquema com piperacilina-tazobactam não são a escolha para este quadro de pneumonia comunitária sem sinais de gravidade extrema.
- D)Tratamento domiciliar / levofloxacina.
Errada, porque tratamento domiciliar com levofloxacina não atende ao perfil de internação sugerido pelos critérios clínicos e laboratoriais.
- E)Internação hospitalar em CTI / meropenem e vancomicina.
Errada, porque sugere quadro de hospitalar/UTI e cobertura muito ampla, incompatíveis com a pneumonia comunitária descrita.
Gabarito: A
Na pneumonia adquirida na comunidade, a primeira decisão não é só qual antibiótico usar, mas onde tratar a paciente. Para isso, você costuma olhar a gravidade clínica e, na prática de prova, a banca adora o escore CURB-65: confusão, ureia elevada, frequência respiratória, pressão baixa e idade acima de 65 anos. Aqui, a paciente tem idade maior que 65, ureia acima de 50 mg/dL e pressão diastólica muito baixa, o que já aponta maior gravidade e necessidade de internação hospitalar. Como ela não apresenta critérios claros de pneumonia grave em UTI, como necessidade de ventilação mecânica, choque séptico ou hipoxemia importante, o local adequado é a enfermaria, não a UTI. A gasometria nem está ruim, a saturação está preservada e a frequência respiratória está apenas discretamente aumentada. Em concurso, isso é um detalhe importante: internar não significa automaticamente ir para CTI. Quanto ao antibiótico, a conduta empírica hospitalar para pneumonia comunitária não grave costuma combinar um beta-lactâmico, como ceftriaxone, com um macrolídeo, como azitromicina, para cobrir pneumococo e agentes atípicos. Esse esquema é coerente com diretrizes usuais e com a lógica prática de cobertura inicial na internação. Portanto, o gabarito A está correto porque une dois pontos ao mesmo tempo: local de tratamento em hospital e esquema antibiótico apropriado para pneumonia comunitária internada. O resto das alternativas exagera na gravidade, trata em casa quando não deve, ou usa antibióticos mais típicos de pneumonia hospitalar/CTI do que de quadro comunitário sem sinal de choque.