Você atendeu um jovem de 21 anos que apresenta alterações compatíveis com a Síndrome de Gilbert (SG) – afecção crônica e benigna que ocorre em 5 a 7% da população. As características da SG são:
- A)hiperbilirrubinemia não-conjugada, dor abdominal e alteração na atividade da enzima gama glutamil transferase.
Errada: a Síndrome de Gilbert não causa dor abdominal nem alteração típica da GGT, e o padrão é de bilirrubina não conjugada isolada.
- B)hiperbilirrubinemia não conjugada, hemólise e alteração na atividade da fosfatase alcalina.
Errada: hemólise não é característica da Síndrome de Gilbert, e a fosfatase alcalina costuma estar normal nessa condição.
- C)hiperbilirrubinemia conjugada, icterícia flutuante e alteração na atividade da enzima gama glutamil transferase.
Errada: a bilirrubina na Síndrome de Gilbert é não conjugada, e GGT alterada sugere outra doença hepatobiliar.
- D)hiperbilirrubinemia não conjugada, icterícia ocasional e alteração na atividade da enzima uridil-difosfato-glucuroniltransferase.
Certa: reúne hiperbilirrubinemia não conjugada, icterícia intermitente e redução da atividade da UGT1A1, que é o mecanismo clássico.
- E)hiperbilirrubinemia conjugada, dor abdominal e alteração na atividade da enzima alanina aminotransferase.
Errada: bilirrubina conjugada e ALT alterada apontam mais para hepatopatia ou colestase, não para Síndrome de Gilbert.
Gabarito: D
A Síndrome de Gilbert é uma causa benigna e comum de aumento da bilirrubina, geralmente descoberta em jovens por acaso. O ponto principal é que ela cursa com hiperbilirrubinemia não conjugada, porque o fígado tem uma redução leve na capacidade de conjugar a bilirrubina. Em geral, a pessoa fica bem entre os episódios e pode notar uma icterícia discreta e intermitente, especialmente em jejum, estresse, doença ou esforço físico. O mecanismo clássico é a redução da atividade da enzima uridil-difosfato-glucuroniltransferase, a UGT1A1. É essa enzima que ajuda a transformar a bilirrubina indireta em uma forma conjugada para eliminação. Como essa etapa fica prejudicada, sobra bilirrubina não conjugada circulando, mas sem sinais de doença hepática importante. Por isso, a alternativa D está correta: descreve hiperbilirrubinemia não conjugada, icterícia ocasional e alteração da atividade da UGT. Isso é o retrato típico da Síndrome de Gilbert, que não é hemólise, não é colestase e não costuma alterar enzimas como FA, GGT ou ALT. Na prática, é uma condição benigna, mais chata do que perigosa.