Com relação ao trauma em otorrinolaringologia, assinale a afirmativa incorreta.
- A)O hematoma septal e o abscesso septal podem causar perda da cartilagem septal.
Certa: hematoma e abscesso septal podem comprometer a irrigação da cartilagem septal e causar necrose, com perda de suporte estrutural.
- B)O aumento da distância intercantal sugere haver fratura da lâmina cribriforme nas fraturas naso-orbitoetmoidal.
Certa: o aumento da distância intercantal sugere telecanto traumático e pode indicar fratura naso-orbitoetmoidal com envolvimento da lâmina cribriforme.
- C)As fraturas transversas do osso temporal ocorrem em 70% a 80% dos casos e em geral preservam a cápsula ótica.
Errada: as fraturas transversas do temporal são menos frequentes e tendem a acometer a cápsula ótica, ao contrário do que a alternativa afirma.
- D)As lesões da membrana timpânica e da cadeia ossicular são mais frequentes nas fraturas longitudinais do osso temporal.
Certa: lesões da membrana timpânica e da cadeia ossicular são mais típicas das fraturas longitudinais do osso temporal.
- E)O nervo facial é acometido em mais da metade dos casos de fraturas transversas do osso temporal.
Certa: o nervo facial é acometido com frequência nas fraturas transversas do temporal, pela proximidade do trajeto intratemporal.
Gabarito: C
No trauma de osso temporal, vale guardar uma regra simples: a direção da fratura ajuda a prever a lesão associada. As fraturas longitudinais costumam ser mais frequentes e geralmente se relacionam mais com lesões de ouvido médio, como membrana timpânica e cadeia ossicular. Já as fraturas transversas, embora menos comuns, têm maior chance de acometer a cápsula ótica, com perda auditiva neurossensorial, vertigem e maior risco de lesão do nervo facial. Na face, o trauma naso-orbitoetmoidal pede atenção ao aumento da distância intercantal, porque isso sugere lesão da região etmoidal e pode indicar fratura importante, inclusive com comprometimento da lâmina cribriforme. No septo nasal, hematoma e abscesso septal são emergências porque podem interromper a nutrição da cartilagem e levar à necrose e deformidade em sela. O ponto-chave da questão está na alternativa C: ela está errada porque inverte a epidemiologia e a anatomia da fratura temporal. As fraturas transversas não ocorrem em 70% a 80% dos casos, e também não preservam a cápsula ótica em geral; na verdade, costumam lesá-la com mais frequência. A descrição apresentada combina com o padrão clássico das fraturas longitudinais, não das transversas. Em prova, pense assim: longitudinal = mais comum e mais relacionada ao ouvido médio; transversa = menos comum e mais grave para o ouvido interno e o facial. Esse mapa mental resolve a maior parte das questões de otorrino sobre trauma.