Aproximadamente 15 a 30% dos pacientes com endocardite infecciosa apresentará um distúrbio neurológico na sua evolução. Assinale a opção que apresenta a complicação neurológica mais comum da endocardite infecciosa em crianças.
- A)Abcesso medular.
Errada: abscesso medular não é a complicação neurológica mais comum da endocardite infecciosa, sendo bem mais raro que eventos isquêmicos cerebrais.
- B)Distonia.
Errada: distonia não é manifestação típica nem complicação neurológica comum da endocardite infecciosa.
- C)Migranea.
Errada: migrânea não é complicação característica da endocardite infecciosa e não representa o quadro neurológico clássico cobrado na prova.
- D)Infarto medular.
Errada: infarto medular pode ocorrer por fenômenos embólicos, mas é muito menos frequente do que o acometimento cerebral isquêmico.
- E)Acidente vascular cerebral isquêmico.
Certa: o AVC isquêmico é a complicação neurológica mais comum da endocardite infecciosa em crianças, geralmente por embolização séptica a partir das vegetações.
Gabarito: E
A endocardite infecciosa pode parecer uma doença “do coração”, mas ela adora fazer bagunça em outros órgãos por causa de êmbolos sépticos e fenômenos inflamatórios. No sistema nervoso, isso aparece em uma parcela relevante dos pacientes, especialmente como eventos isquêmicos, sangramentos, abscessos e, mais raramente, outras complicações focais. Em crianças, o cenário mais comum continua sendo o acidente vascular cerebral isquêmico, geralmente por embolização de material infectado a partir das vegetações valvares. O raciocínio aqui é bem direto: vegetações na válvula funcionam como uma espécie de “pedrinha solta” da infecção, que pode viajar pela circulação e obstruir artérias cerebrais. Quando isso acontece, o quadro neurológico costuma ser agudo, com déficit focal, alteração do nível de consciência ou convulsões. Por isso, entre as complicações neurológicas da endocardite infecciosa, o AVC isquêmico é a mais lembrada e a mais cobrada. As outras opções fogem do padrão clássico. Distonia e migrânea não são complicações típicas da endocardite infecciosa, e infarto medular ou abscesso medular são bem menos comuns nesse contexto. Em provas, a FGV costuma cobrar o mecanismo emboligênico da endocardite e a manifestação neurológica mais frequente, então vale guardar a associação: endocardite infecciosa, vegetação, êmbolo e AVC isquêmico. Em termos doutrinários e de prática clínica, a literatura de infectologia e neurologia pediátrica aponta as complicações cerebrovasculares isquêmicas como as mais frequentes entre as neurológicas, especialmente em pacientes com endocardite esquerda. É uma questão de pegadinha clássica: a doença pode causar várias complicações, mas a campeã de ocorrência continua sendo a isquemia cerebral embólica.