Assinale a opção que não apresenta uma adaptação cardiovascular fisiológica, possivelmente observada durante a gravidez.
- A)Após a sexta semana de gestação, ocorre um aumento do volume plasmático circulante.
Correta, pois após as primeiras semanas de gestação o volume plasmático aumenta de forma progressiva.
- B)Há um aumento da resistência vascular periférica e pulmonar desde o início da gravidez.
Errada, porque na gravidez a resistência vascular periférica e pulmonar tende a cair, e não aumentar.
- C)Ocorre uma queda de 5 a 10 mmHg na pressão arterial até o terceiro trimestre, quando então os níveis retornam aos valores de base.
Correta, já que é comum haver queda discreta da pressão arterial no meio da gestação, com retorno posterior aos valores basais.
- D)O débito cardíaco aumenta progressivamente em 30 a 50%, podendo chegar a 80% durante o parto.
Correta, porque o débito cardíaco aumenta durante a gravidez e pode se elevar ainda mais no parto.
- E)A frequência cardíaca basal aumenta aproximadamente 10 batimentos/minuto.
Correta, pois a frequência cardíaca basal costuma subir cerca de 10 batimentos por minuto na gestação.
Gabarito: B
Durante a gravidez, o organismo faz uma verdadeira ginástica hemodinâmica para sustentar a mãe e o feto. Entre as adaptações fisiológicas mais clássicas, estão o aumento do volume plasmático, o aumento do débito cardíaco, a elevação discreta da frequência cardíaca e a queda da resistência vascular sistêmica, com redução modesta da pressão arterial no meio da gestação. É o corpo tentando dar conta do recado sem fazer barulho demais. O volume plasmático começa a subir já nas primeiras semanas, ajudando a expandir a volemia e a preparar a circulação para as necessidades da gestação. Ao mesmo tempo, o débito cardíaco aumenta progressivamente, sobretudo por aumento do volume sistólico e da frequência cardíaca, podendo ficar ainda maior durante o trabalho de parto. Também é esperado um pequeno aumento da frequência cardíaca basal, em torno de 10 bpm. A pressão arterial costuma cair discretamente, especialmente pela redução da resistência vascular periférica, e depois tende a voltar aos valores prévios mais perto do terceiro trimestre. Isso acontece porque a circulação placentária cria um circuito de baixa resistência, o que ajuda o fluxo sanguíneo uteroplacentário. Em termos de fisiologia, é uma adaptação normal e esperada, não uma doença. Assim, a alternativa B é a incorreta porque na gravidez ocorre justamente o contrário: há redução da resistência vascular periférica e também da resistência vascular pulmonar, e não aumento desde o início da gestação. A banca FGV gosta bastante de cobrar essas adaptações fisiológicas da gestação em forma de inversão conceitual, então vale guardar a lógica geral: mais volume, mais débito, menos resistência e leve queda pressórica.