Homem de 35 anos com vida sexual ativa relata dor para urinar iniciada há 2 dias. Ao exame possui descarga purulenta pelo meato uretral. A orientação deve incluir abstenção sexual por 7 dias e tratar parceiro/a(s). O tratamento antimicrobiano empírico mais adequado é:
- A)ceftriaxone 500 mg IM dose única + doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 7 dias.
Correta: ceftriaxone cobre gonococo e doxiciclina cobre possível coinfecção por Chlamydia trachomatis.
- B)ciprofloxacina 500 mg VO dose única + doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 7 dias.
Errada: ciprofloxacina não é esquema empírico adequado para gonorreia devido à resistência bacteriana.
- C)ceftriaxone 500 mg IM dose única + azitromicina 500 mg VO por 7 dias.
Errada: a associação com azitromicina por 7 dias não é o esquema padrão para uretrite gonocócica com suspeita de clamídia.
- D)ciprofloxacina 500 mg VO dose única + azitromicina 500 mg VO dose única.
Errada: além de ciprofloxacina ser inadequada como empirismo, a cobertura proposta não é a recomendada para gonorreia.
- E)cefuroxima 500 mg VO 12/12h por 7 dias + doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 7 dias
Errada: cefuroxima oral não é tratamento de escolha para uretrite gonocócica e não substitui o ceftriaxone.
Gabarito: A
Uretrite aguda em homem sexualmente ativo, com disúria e descarga purulenta, faz pensar primeiro em gonorreia, muitas vezes com coinfecção por Chlamydia trachomatis. Na prática, o tratamento empírico não espera cultura: você trata logo para cortar a transmissão e evitar complicações, como epididimite e doença inflamatória pélvica na parceira. O esquema clássico é ceftriaxone IM em dose única para cobrir Neisseria gonorrhoeae. Como a clamídia pode estar junto e nem sempre dá para excluir na hora, associa-se doxiciclina por 7 dias. É exatamente a lógica da alternativa A: cobrir os dois agentes mais prováveis de uma uretrite purulenta. A orientação de abster-se de relações por 7 dias e tratar parceiro(s) também é parte do manejo. Isso não é detalhe de “vida saudável”, é controle de reinfecção e de cadeia de transmissão. Sem tratar os contatos, o paciente melhora e volta com o mesmo problema, como um retorno nada elegante do micróbio. Vale lembrar que quinolonas, como ciprofloxacina, não são escolha empírica de rotina para gonorreia por resistência. Azitromicina já foi mais usada em esquemas antigos, mas hoje não é a base do tratamento empírico dessa apresentação.