O Consenso Brasileiro de Demências, iniciativa do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia sistematizou as diretrizes que auxiliam no seu diagnóstico e tratamento, principalmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O cognitivo leve, é uma condição em que o indivíduo apresenta transtorno cognitivo, mas
- A)sem prejuízo de sua autonomia em exercer as atividades de vida diária.
Correta, porque no comprometimento cognitivo leve há alteração cognitiva com preservação da autonomia nas atividades de vida diária.
- B)com prejuízo de sua autonomia em exercer as atividades de vida diária.
Errada, porque prejuízo da autonomia nas atividades diárias já sugere demência, não comprometimento cognitivo leve.
- C)com prejuízo de sua autonomia em exercer as atividades sociais.
Errada, porque o critério central não é a autonomia social, e sim a preservação das atividades de vida diária.
- D)com prejuízo de sua autonomia em exercer as atividades físicas.
Errada, porque atividade física não é o parâmetro definidor do quadro cognitivo descrito.
- E)com prejuízo de sua autonomia em exercer as atividades profissionais.
Errada, porque prejuízo profissional pode ocorrer em fases iniciais, mas a definição clássica exige manutenção da autonomia nas atividades de vida diária.
Gabarito: A
O ponto central aqui é diferenciar comprometimento cognitivo leve de demência. No comprometimento cognitivo leve, a pessoa tem queixa e teste cognitivo alterado, mas continua conseguindo tocar a vida com autonomia preservada nas atividades de vida diária. Em outras palavras: a memória pode falhar, o raciocínio pode ficar mais lento, mas a pessoa ainda se vira sozinha para banho, alimentação, roupa, remédios e demais tarefas do cotidiano. Isso é muito importante porque, na demência, além do déficit cognitivo, há prejuízo funcional que interfere na independência. Já no comprometimento cognitivo leve, existe um sinal de alerta, um “quase lá”, mas ainda não há perda da autonomia. Por isso a questão usa exatamente essa ideia: transtorno cognitivo sem prejuízo da capacidade de exercer as atividades de vida diária. O Consenso Brasileiro de Demências segue essa lógica clássica da neurologia: alteração cognitiva objetiva, preservação funcional global e ausência de demência. Então o gabarito A está correto porque descreve o quadro sem rompimento da independência do paciente. As demais alternativas tentam trocar essa preservação por prejuízos em áreas sociais, físicas ou profissionais, o que já aponta para outro nível de comprometimento. Na prova, pense assim: se o enunciado falar em memória ruim, lentidão ou dificuldade leve, mas a pessoa continua autônoma, você está no território do comprometimento cognitivo leve. Se perdeu autonomia para as tarefas do dia a dia, a história já muda de figura.