← Questões de Medicina

Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente idosa, de 90 anos, apresentava quadro de insônia e ansiedade ao se deitar. Sua filha, preocupada, administrou por conta própria o medicamento clonazepam 2 mg. A paciente evoluiu com rebaixamento do nível de consciência por mais de 24 horas após o uso do Clonazepam, sendo levada ao pronto-socorro. Assinale a mudança fisiológica do envelhecimento que pode ter levado ao aumento da meia-vida do Clonazepam nessa paciente.

Gabarito: E

No idoso, o organismo muda a forma como o remédio se distribui e fica no corpo por mais tempo. Um ponto clássico é o aumento do percentual de gordura corporal e a redução de água corporal total e massa magra. Isso importa muito para os benzodiazepínicos, que são fármacos lipofílicos, ou seja, gostam de gordura e acabam “se escondendo” no tecido adiposo, liberando-se devagar para a circulação. Resultado prático: a meia-vida pode aumentar, o efeito sedativo dura mais e o risco de sonolência prolongada, confusão, quedas e rebaixamento do nível de consciência cresce bastante. Em uma paciente de 90 anos, esse efeito fica ainda mais evidente, porque o envelhecimento costuma reduzir a reserva fisiológica geral e a capacidade de compensar o remédio. Por isso, a alternativa correta é a letra E. O clonazepam é um benzodiazepínico lipofílico, e o aumento da gordura corporal no envelhecimento prolonga sua permanência no organismo. Na prática geriátrica, isso reforça o princípio de “start low, go slow”: começar com doses baixas e ir devagar, porque o cérebro idoso não aprecia surpresas farmacológicas. As demais opções tentam confundir com mudanças do envelhecimento que existem, mas não explicam bem esse caso. Aqui, o problema não é principalmente rim, albumina ou metabolismo de primeira passagem, e sim a farmacocinética dos lipofílicos no corpo do idoso.

Continue treinando

Questões relacionadas