Paciente de 40 anos, branca, sexo feminino, natural do RJ, jornalista, queixa-se de dor lombar contínua e crescente, que piora com movimentos, há 3 meses. A dor começou após esforço físico (empurrou um móvel em casa). Referiu febre e calafrios à noite. Ao exame físico apresenta dor à palpação de apófise de L4 e na articulação sacroilíaca direita, com espasmo muscular paravertebral. Sinal de Lasègue negativo, demais testes neurológicos normais. Laboratório: hemoglobina 11,5 mg%, leucócitos 9.000, VHS 50 mm/h. Em relação ao possível diagnóstico, assinale a afirmativa correta.
- A)As dores lombares em jovens são geralmente mecânicas, e nesse caso, não merecem investigação secundária, já que são autolimitadas e cedem com poucos dias de repouso.
Errada: lombalgia em jovem nem sempre é mecânica e, com febre e VHS elevado, não deve ser tratada como quadro autolimitado sem investigação.
- B)O esforço físico determinou uma herniação do disco e por isso a dor se perpetuou por um período mais prolongado.
Errada: o esforço físico pode ter coincidido com o início da dor, mas não explica febre, calafrios, dor vertebral focal e inflamação laboratorial.
- C)A presença de febre, nesse caso, faz pensar em causa infecciosa e determina investigação secundária.
Certa: febre em lombalgia é sinal de alarme e sugere causa infecciosa, exigindo investigação de dor lombar secundária.
- D)A paciente pode ter o HLA B27 detectado e a associação com VHS elevado e anemia sugere espondiloartrite associada a DII
Errada: HLA-B27 e espondiloartrite associada à DII não são a melhor leitura do caso, que tem sinais mais sugestivos de infecção do eixo vertebral.
- E)O tratamento deve ser feito com calor local, analgésicos, anti-inflamatórios e mobilização precoce.
Errada: calor local, analgésicos e mobilização precoce servem para lombalgia mecânica inespecífica, não para quadro com febre e suspeita de infecção.
Gabarito: C
Dor lombar não é tudo igual: quando o quadro é mecânico, costuma melhorar com repouso, não vem com sinais sistêmicos e tende a ser autolimitado. Aqui, porém, a paciente tem dor contínua, piora progressiva, febre, calafrios, dor à palpação vertebral e VHS elevada. Isso muda o jogo e faz pensar em causa secundária, especialmente infecciosa, como espondilodiscite, osteomielite vertebral ou abscesso epidural, que exigem investigação imediata. A presença de febre em lombalgia é um sinal de alarme clássico, porque aponta para processo inflamatório/infeccioso e não para simples distensão muscular pós-esforço. A questão quer exatamente isso: o esforço físico pode ter sido apenas uma coincidência temporal, mas os sintomas gerais e os achados laboratoriais obrigam a procurar etiologia infecciosa. Em prova, lembre do raciocínio de bandeira vermelha: febre + lombalgia = investigação secundária, sem romantizar como “dor de coluna comum”.