M. A. V. de 68 anos, ex-tabagista de longa data, realizou ressecção de lesões vegetantes na bexiga. No laudo histopatológico foi identificado carcinoma urotelial papilífero de alto grau com extenso acometimento da lâmina própria e diversas áreas de invasão micropapilar pT1. A indicação após o laudo e sua revisão foi de cistectomia radical. Assinale a opção que apresenta o fator que indicou esta abordagem.
- A)Extenso acometimento da lâmina própria.
O extenso acometimento da lâmina própria reforça a gravidade, mas sozinho não é o principal critério que define a cistectomia radical neste caso.
- B)Idade.
A idade, isoladamente, não indica cistectomia radical; a decisão depende do risco oncológico e da condição clínica global.
- C)pT1.
pT1 é doença invasiva da lâmina própria, mas nem todo pT1 leva diretamente à cistectomia radical sem outros fatores de alto risco.
- D)Invasão micropapilar.
Correta, porque a variante micropapilar é agressiva e se associa a maior risco de progressão, justificando abordagem mais radical.
- E)Alto grau.
Alto grau aumenta o risco, mas não é o elemento decisivo isolado nesta questão, já que o diferencial foi a variante micropapilar.
Gabarito: D
No câncer de bexiga, nem todo pT1 de alto grau segue o mesmo caminho. Quando o anatomopatológico mostra invasão da lâmina própria com variante micropapilar, o sinal de alerta sobe bastante, porque essa é uma variante histológica agressiva, associada a maior risco de progressão, metástase e subestadiamento. Em outras palavras: o tumor parece pequeno no papel, mas tem comportamento de gente grande. Por isso, após a ressecção transuretral, a presença de componente micropapilar em pT1 costuma indicar tratamento mais agressivo, frequentemente com cistectomia radical precoce. A lógica é evitar perder tempo com uma lesão que tende a recidivar e invadir mais profundamente, mesmo quando ainda está teoricamente confinada à mucosa/lâmina própria. O detalhe que pesa aqui não é simplesmente ser pT1, nem ser alto grau, porque isso sozinho não obriga cistectomia radical em todos os casos. O que muda o jogo é a invasão micropapilar, reconhecida na prática urológica e em diretrizes como variante de alto risco, com indicação de tratamento mais radical em muitos pacientes. Em resumo: o laudo grita mais alto do que o estágio isolado. Então, o gabarito é a alternativa D porque a invasão micropapilar é o fator histológico que justificou a cistectomia radical neste contexto.