Álcool é a droga lícita mais consumida no mundo. No Brasil, as estatísticas apontam a influência do álcool em 39,4% dos acidentes fatais de trânsito, com 56% dos motoristas fatalmente feridos em acidentes sob efeito de álcool. PONCE, J.C. et al. Alcohol-related traffic accidents with fatal outcomes on the city of São Paulo. Accid Anal Prev. 2011: 43(3):782-7. Na detecção e quantificação post mortem de álcool de um determinado indivíduo, os critérios usados objetivam diferenciar o etanol endógeno produzido por bactérias durante o processo de decomposição, do etanol exógeno, ingerido em bebidas alcoólicas quando em vida. Ante o exposto, assinale a opção que contém metabólitos ante mortem do etanol utilizados como marcadores pela toxicologia analítica.
- A)Dietil glucoronídeo e trisulfato e etila.
Errada, porque "dietil glucoronídeo" não é o marcador clássico do etanol, e "trisulfato e etila" não corresponde ao metabólito forense usado na prática.
- B)Benzil glucoronídeo e sulfato e etila.
Errada, porque "benzil glucoronídeo" não tem relação com o metabolismo do etanol e é um termo que foge completamente do tema.
- C)Dietil glucoronídeo e bisulfato e etila.
Errada, porque "dietil glucoronídeo" está incorreto e o item não traz os marcadores reconhecidos de consumo ante mortem.
- D)Etil glucoronídeo e sulfato e etila.
Certa, pois etil glucuronídeo e etil sulfato são metabólitos ante mortem do etanol usados como marcadores na toxicologia analítica.
- E)Benzil glucoronídeo e bisulfato e etila.
Errada, porque "benzil glucoronídeo" não é marcador de álcool e "bisulfato e etila" não corresponde ao metabólito correto.
Gabarito: D
Na toxicologia forense, o grande desafio no post mortem é separar o etanol que a pessoa realmente ingeriu em vida do etanol que pode surgir depois da morte pela ação de microrganismos na decomposição. Por isso, não basta olhar só para a concentração de álcool: é preciso buscar metabólitos que indiquem consumo ante mortem. Os marcadores mais usados para isso são o etil glucuronídeo (EtG) e o etil sulfato (EtS), que aparecem após a ingestão de etanol e ajudam a confirmar exposição recente ao álcool. O EtG é formado pela conjugação do etanol com ácido glucurônico, e o EtS pela conjugação com sulfato. Como esses produtos dependem do metabolismo do organismo vivo, eles não surgem de forma relevante apenas pela putrefação, o que os torna úteis para diferenciar ingestão real de produção pós-morte. Em linguagem de prova: álcool pode ser “fabricado” depois da morte, mas EtG e EtS são a assinatura de que houve bebida antes da morte. É por isso que o gabarito é a letra D: etil glucuronídeo e etil sulfato. A banca explora justamente esse raciocínio de toxicologia analítica, muito cobrado em perícia e medicina legal. Se aparecer outra opção com nomes parecidos, desconfie de termos trocados ou metabólitos que não são os marcadores clássicos do etanol.