Paciente de 7 anos, sexo masculino, com crises recorrentes de sibilância. Tem sintomas mais que 2x por semana, com despertares noturnos sem uso de beta-agonista de curta duração e afeta atividade. Segundo o GINA se classifica como asma não controlada. Tem história familiar e pessoal positiva para atopia. Só faz tratamento em vigência de crise com beta de curta duração e prednisolona por conta própria. Foi solicitado uma espirometria que mostrou um VEF1 de 57%, VEF1/CVF (índice de Tiffeneau) de 68%, FEV25-75% de 30% e CVF de 80%. Após prova broncodilatadora, houve variação do VEF1 de 14 %, o VEF1/CVF foi para 80% e FEV25-75% PARA 45%. Assinale a opção que indica o diagnóstico provável para o caso clínico descrito.
- A)Distúrbio obstrutivo moderado com prova broncodilatadora positiva.
Certa, porque a espirometria mostra padrão obstrutivo moderado pelo VEF1 de 57% e ainda há resposta broncodilatadora significativa.
- B)Normal.
Errada, pois há redução de VEF1 e da relação VEF1/CVF, o que afasta função pulmonar normal.
- C)Distúrbio Restritivo.
Errada, porque na restrição a CVF fica reduzida de forma proporcional, e aqui a CVF está preservada, com relação VEF1/CVF baixa indicando obstrução.
- D)Distúrbio obstrutivo moderado com prova broncodilatora negativa.
Errada, pois houve aumento de 14% no VEF1 após broncodilatador, configurando prova broncodilatadora positiva.
- E)Distúrbio obstrutivo leve com prova broncodilatadora positiva.
Errada, porque o VEF1 de 57% do previsto não sugere obstrução leve, e sim grau moderado.
Gabarito: A
Nesta questão, o ponto central é juntar clínica com função pulmonar. A criança tem sintomas frequentes, despertares noturnos, limitação de atividade e uso apenas de medicação de resgate, o que já sugere asma mal controlada. Na espirometria, o VEF1 está em 57% do previsto, com relação VEF1/CVF de 68%, mostrando padrão obstrutivo. Em geral, VEF1 entre 50% e 79% do previsto indica obstrução moderada, enquanto valores ainda menores apontariam maior gravidade. Aqui a CVF está preservada em 80%, o que afasta restrição e reforça que o problema é obstrutivo. A prova broncodilatadora foi positiva, porque houve aumento do VEF1 de 14% após o broncodilatador. Em pediatria, uma resposta significativa costuma ser definida por aumento de pelo menos 12% do VEF1 após broncodilatador, o que indica reversibilidade da obstrução, característica típica da asma. O aumento do índice de Tiffeneau para 80% também acompanha essa melhora da obstrução. O FEV25-75% baixo ajuda a sugerir comprometimento de pequenas vias aéreas, mas não é o parâmetro principal para classificar o distúrbio. O que manda na leitura da prova é: relação VEF1/CVF reduzida, VEF1 reduzido e resposta ao broncodilatador. Portanto, o diagnóstico funcional é distúrbio obstrutivo moderado com prova broncodilatadora positiva. Em resumo: não é normal, não é restritivo e não é obstrução leve, porque o VEF1 está bem abaixo do normal e a obstrução ficou claramente reversível. Em prova de concurso, pense assim: VEF1 baixo + relação VEF1/CVF baixa = obstrução; melhora relevante após broncodilatador = reversibilidade, muito sugestiva de asma.