Criança de 2 anos, vítima de acidente automobilístico e com traumatismo torácico. Nesse caso, a lesão mais comumente encontrada é
- A)fratura de arcos costais.
Errada, porque fratura de costelas é menos comum na criança pequena devido à maior complacência da caixa torácica.
- B)rotura de aorta torácica.
Errada, porque rotura de aorta torácica é lesão clássica de trauma de alta energia em adultos, não a mais comum nessa faixa etária.
- C)hemotórax.
Errada, porque hemotórax pode ocorrer, mas não é a lesão torácica mais frequentemente encontrada no trauma fechado da criança.
- D)pneumotórax.
Errada, porque pneumotórax também é possível, porém a contusão pulmonar é mais típica e mais frequente como lesão associada.
- E)contusão pulmonar.
Certa, porque a contusão pulmonar é a lesão mais comum no trauma torácico fechado da criança pequena, pela maior flexibilidade da caixa torácica.
Gabarito: E
Em trauma torácico na criança pequena, o raciocínio é diferente do adulto: o tórax é mais flexível, as costelas deformam mais e “protegem menos” os pulmões. Por isso, mesmo com menos fratura de arco costal visível, pode haver lesão pulmonar importante. Na prática, a criança pode parecer até menos “marcada” externamente e ainda assim ter contusão pulmonar significativa. Isso é um clássico de prova da FGV: a lesão intratorácica mais frequente no trauma fechado pediátrico é a contusão pulmonar, não a fratura de costelas. A contusão pulmonar acontece pelo impacto direto sobre o parênquima pulmonar, com sangramento e edema alveolar, levando a desconforto respiratório, hipoxemia e infiltrado na imagem. Em crianças, ela aparece com facilidade porque a parede torácica é mais complacente e transmite a energia do trauma para o pulmão. É o tipo de lesão que o exame físico pode subestimar no começo, então a suspeita clínica precisa ser alta. Já fratura de arcos costais, rotura de aorta, hemotórax e pneumotórax podem acontecer, mas são menos comuns nessa faixa etária como lesão predominante. A aorta, por exemplo, costuma ser lembrada em desaceleração de alta energia em adultos, e não como a principal lesão típica da criança de 2 anos. Em resumo: em criança pequena com trauma torácico, pense primeiro em lesão pulmonar contusa, antes de imaginar as grandes lesões “cinematográficas” do adulto.