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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente de 58 anos, hipertenso e diabético tipo II, deu entrada na emergência com quadro de dor precordial intensa. Realizado diagnóstico de síndrome coronariana aguda (SCA) após ECG com supra-desnivelamento em derivações (D2/D3 e AVF) e marcadores de necrose miocárdica positivos. Imediatamente encaminhado para ser submetido ao cateterismo cardíaco, sendo diagnosticada a presença de placa obstrutiva no terço distal da coronária direita (80%) próximo à origem do ramo interventricular posterior. Após a angioplastia o paciente apresenta bloqueio átrio ventricular total (BAVT). Considerando a anatomia dos vasos coronarianos, assinale a possível artéria comprometida e a indicação de tratamento definitivo para esse paciente.

Gabarito: B

Quando você vê um infarto inferior, com supra em D2, D3 e aVF, vale lembrar que a coronária direita costuma ser a protagonista. No caso descrito, a placa está no terço distal da coronária direita, bem perto da origem do ramo interventricular posterior. Essa região é importante porque dali também pode vir a artéria do nó atrioventricular, que irriga o sistema de condução cardíaco. Se essa artéria é comprometida, o paciente pode evoluir com bloqueio átrio-ventricular total, especialmente após a reperfusão/angioplastia, quando o tecido de condução já estava sofrendo isquemia. É uma complicação clássica de infarto de parede inferior. O raciocínio anatômico aqui é: coronária direita distal -> ramo do nó AV -> distúrbio de condução. No tratamento, o ponto-chave é diferenciar medidas temporárias de tratamento definitivo. Atropina pode ser tentada em bradicardias vagais e alguns bloqueios nodais, mas no BAVT ela frequentemente é insuficiente. Se o bloqueio persiste e há instabilidade, a medida definitiva é o marcapasso transvenoso temporário, que garante estimulação confiável até a recuperação ou definição de conduta posterior. Ou seja: a prova quer que você junte anatomia coronariana com fisiologia da condução. Lesão na região da artéria do nó AV e BAVT depois da angioplastia apontam para suporte com marcapasso transvenoso, não para atropina como solução definitiva.

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