Paciente de 58 anos, hipertenso e diabético tipo II, deu entrada na emergência com quadro de dor precordial intensa. Realizado diagnóstico de síndrome coronariana aguda (SCA) após ECG com supra-desnivelamento em derivações (D2/D3 e AVF) e marcadores de necrose miocárdica positivos. Imediatamente encaminhado para ser submetido ao cateterismo cardíaco, sendo diagnosticada a presença de placa obstrutiva no terço distal da coronária direita (80%) próximo à origem do ramo interventricular posterior. Após a angioplastia o paciente apresenta bloqueio átrio ventricular total (BAVT). Considerando a anatomia dos vasos coronarianos, assinale a possível artéria comprometida e a indicação de tratamento definitivo para esse paciente.
- A)Artéria do Nódulo Sinusal / Atropina.
Errada: a artéria do nó sinusal geralmente é a responsável pelo nó sinoatrial, mas o quadro é de bloqueio AV total, não de disfunção sinusal, e atropina não é o tratamento definitivo.
- B)Artéria do Nódulo Atrio – ventricular / Marcapasso transvenoso.
Certa: a coronária direita distal pode dar origem à artéria do nó AV, e o BAVT indica necessidade de marcapasso transvenoso.
- C)Artéria Diagonal / Atropina.
Errada: a artéria diagonal irriga a parede anterolateral do ventrículo esquerdo, sem relação típica com BAVT neste contexto.
- D)Artérias septais / Aminas Vaso-ativas.
Errada: ramos septais irrigam o septo e parte do sistema de condução, mas a associação anatômica mais direta no enunciado é com a artéria do nó AV, além de aminas não serem a conduta definitiva.
- E)Artéria do Nódulo Atrioventricular / Marcapasso transcutâneo.
Errada: a artéria do nó AV faz sentido anatômico, mas o tratamento definitivo proposto está inadequado, porque marcapasso transcutâneo é ponte, não solução definitiva.
Gabarito: B
Quando você vê um infarto inferior, com supra em D2, D3 e aVF, vale lembrar que a coronária direita costuma ser a protagonista. No caso descrito, a placa está no terço distal da coronária direita, bem perto da origem do ramo interventricular posterior. Essa região é importante porque dali também pode vir a artéria do nó atrioventricular, que irriga o sistema de condução cardíaco. Se essa artéria é comprometida, o paciente pode evoluir com bloqueio átrio-ventricular total, especialmente após a reperfusão/angioplastia, quando o tecido de condução já estava sofrendo isquemia. É uma complicação clássica de infarto de parede inferior. O raciocínio anatômico aqui é: coronária direita distal -> ramo do nó AV -> distúrbio de condução. No tratamento, o ponto-chave é diferenciar medidas temporárias de tratamento definitivo. Atropina pode ser tentada em bradicardias vagais e alguns bloqueios nodais, mas no BAVT ela frequentemente é insuficiente. Se o bloqueio persiste e há instabilidade, a medida definitiva é o marcapasso transvenoso temporário, que garante estimulação confiável até a recuperação ou definição de conduta posterior. Ou seja: a prova quer que você junte anatomia coronariana com fisiologia da condução. Lesão na região da artéria do nó AV e BAVT depois da angioplastia apontam para suporte com marcapasso transvenoso, não para atropina como solução definitiva.