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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Adolescente de 16 anos compareceu para consulta por nunca ter menstruado. Ao exame ginecológico observou-se desenvolvimento normal dos caracteres sexuais secundários. Ultrassonografia pélvica solicitada revelou útero hipoplásico. Nesse caso, o diagnóstico provável é

Gabarito: E

Na amenorreia primária, o raciocínio começa quase sempre pelo trio: desenvolvimento puberal, presença de útero e aspecto dos caracteres sexuais secundários. Aqui, a adolescente tem mamas e pelos normais, o que mostra produção de estrogênio e funcionamento ovariano preservado. Isso afasta problemas de produção hormonal importantes e aponta para um defeito anatômico do trato reprodutivo. A ultrassonografia mostrou útero hipoplásico, isto é, um útero pequeno e mal desenvolvido. Em uma paciente com puberdade normal e amenorreia primária, esse achado sugere fortemente a síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser, que é a agenesia ou hipoplasia congênita de útero e parte superior da vagina, com cariótipo 46,XX e ovários funcionantes. O detalhe que costuma salvar a questão é este: se os ovários funcionam, os caracteres sexuais secundários aparecem normalmente, mas não há menstruação porque não existe um útero funcional para descamar endométrio. É o tipo de quadro que faz a menstruação virar promessa, não acontecimento. Nas provas, a lógica é simples: amenorreia primária + puberdade normal + útero ausente ou hipoplásico = pensar em malformação mülleriana, especialmente a síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser. Esse é o padrão clássico cobrado em ginecologia.

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