Paciente de 70 anos, sexo masculino, com antecedente de tabagismo (90 anos/maço) e etilismo diário (60g de álcool/dia) há 30 anos, procura seu consultório com história de disfagia há 2 meses, inicialmente para sólidos, que rapidamente progrediu para pastosos, além de perda de 8kg no último mês. A endoscopia digestiva alta a que foi submetido revelou lesão vegetante e substenosante em esôfago distal e o anátomo-patológico revelou tratar-se de adenocarcinoma esofágico. Em relação ao caso apresentado, avalie as afirmativas a seguir. I. São fatores de risco para desenvolvimento do adenocarcinoma esofágico o tabagismo, esôfago de Barrett e o sexo masculino. II. As mutações do gene TP53 estão presentes em 72% dos adenocarcinomas esofágicos. III. Os adenocarcinomas esofágicos são as neoplasias malignas mais frequentes do esôfago. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa afirma que só a afirmativa I deve ser aproveitada. A I está correta ao apontar tabagismo, esôfago de Barrett e sexo masculino como fatores associados ao adenocarcinoma esofágico, mas ela ignora que a II também procede, porque mutações em TP53 são achados muito frequentes nesse tumor, em torno de 70% dos casos.
- B)II, apenas.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa II está certa. Embora a II seja verdadeira, a I também está, pois o adenocarcinoma do esôfago tem relação com Barrett, tabagismo e predomínio no sexo masculino; além disso, o álcool é mais ligado ao carcinoma espinocelular do que ao adenocarcinoma. Por isso, não se pode restringir a resposta à II.
- C)III, apenas.
A alternativa diz que somente a afirmativa III seria correta. Isso contraria a epidemiologia clássica do câncer de esôfago, porque o carcinoma espinocelular continua sendo o tipo maligno mais frequente no órgão, enquanto o adenocarcinoma predomina em cenários específicos, como o esôfago distal associado ao Barrett. As afirmativas I e II têm fundamento, então essa opção não se sustenta.
- D)I e II, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas I e II, e esse é exatamente o conjunto correto. A I está certa porque tabagismo, esôfago de Barrett e sexo masculino são fatores reconhecidos para adenocarcinoma esofágico, e a II também procede porque mutações de TP53 aparecem com alta frequência, em torno de 72%, nesses tumores. A III é a incorreta, já que, de modo geral, o câncer esofágico mais comum segue sendo o carcinoma espinocelular.
- E)II e III, apenas.
A alternativa combina as afirmativas II e III. A II está de acordo com a biologia molecular do adenocarcinoma esofágico, em que TP53 costuma estar mutado com alta frequência, mas a III erra ao chamar esse tumor de neoplasia maligna mais frequente do esôfago, porque esse predomínio é do carcinoma espinocelular. Além disso, a I também é verdadeira, o que afasta essa opção.
Gabarito: D
O adenocarcinoma de esôfago costuma aparecer no terço distal e tem forte relação com refluxo crônico, esôfago de Barrett, obesidade e sexo masculino. O tabagismo também entra na lista de fatores de risco, então a afirmativa I está correta. Na biologia molecular, alterações do TP53 são muito comuns nesses tumores, chegando a cerca de 72% dos casos, o que torna a afirmativa II correta. Já a afirmativa III está errada porque o adenocarcinoma não é a neoplasia maligna mais frequente do esôfago em termos gerais. O carcinoma espinocelular ainda é o tipo mais comum mundialmente, embora o adenocarcinoma tenha ganhado muito espaço em países ocidentais. Em prova, a banca gosta justamente dessa troca de rótulo: o tumor cresce em frequência, mas não vira automaticamente o mais comum. Portanto, o gabarito é D, porque estão corretas apenas I e II. Em uma frase: o caso clínico tem cara de adenocarcinoma distal em homem idoso tabagista, e a genética clássica do tumor ajuda a fechar a questão.