Paciente masculino, 14 anos, com febre há 1 (um) mês, emagrecimento e discreta tosse seca. RX de tórax evidenciou derrame pleural volumoso, sendo realizada toracocentese com saída líquido amarelo citrino, sem acometimento de parênquima pulmonar. O exame com mais chance de confirmar a principal suspeita diagnóstica, considerando sensibilidade e especificidade, é
- A)BAAR no líquido pleural.
Errada: o BAAR no líquido pleural tem baixa sensibilidade, porque a baciloscopia costuma vir negativa na tuberculose pleural.
- B)adenosina deaminase (ADA ) do liquido pleural.
Errada: a ADA do líquido pleural é útil para triagem e apoio diagnóstico, mas não é o exame mais confirmatório.
- C)ensaio de liberação de interferon gama (IGRA) sérico.
Errada: o IGRA sérico sugere contato/infecção por tuberculose, mas não confirma tuberculose pleural ativa.
- D)análise histopatológica e cultura do fragmento de pleura.
Certa: a biópsia pleural com histopatologia e cultura do fragmento é o método com melhor chance de confirmação diagnóstica.
- E)GeneXpert no líquido pleural.
Errada: o GeneXpert no líquido pleural pode ajudar, mas a sensibilidade no derrame pleural é limitada.
Gabarito: D
Esse quadro tem cara de tuberculose pleural: febre arrastada, emagrecimento, tosse seca e derrame pleural importante, sem lesão pulmonar evidente no RX. Em pediatria e adolescentes, a TB pode aparecer de forma mais “silenciosa” e o líquido pleural costuma ser amarelo citrino, exsudativo e rico em linfócitos. O problema é que, no derrame pleural tuberculoso, muitos exames diretos vêm negativos, porque a carga bacilar no líquido costuma ser baixa. Aí entra a lógica da prova: quando a banca pergunta qual exame tem maior chance de confirmar de verdade a suspeita, pensando em sensibilidade e especificidade, o melhor é o estudo do tecido. A análise histopatológica da pleura pode mostrar granulomas caseosos, e a cultura do fragmento aumenta a chance de encontrar o Mycobacterium tuberculosis. Em outras palavras, em vez de “caçar um bacilo tímido no líquido”, você mira na pleura, onde a inflamação costuma deixar pista mais forte. Isso faz sentido porque, no derrame pleural tuberculoso, BAAR no líquido pleural, GeneXpert e até ADA ajudam muito na suspeita, mas não são os campeões de confirmação. O ADA é bem sensível para sugerir TB pleural, porém não fecha diagnóstico sozinho. Já o IGRA sérico indica infecção por tuberculose, mas não distingue bem doença ativa de infecção prévia, então também não é o exame confirmatório ideal. Resumo de prova: suspeitou de TB pleural e quer o exame mais confirmatório, principalmente com melhor desempenho global, pense em biópsia de pleura com histopatologia e cultura. É o tipo de situação em que a imagem clínica aponta o caminho, mas o tecido dá a assinatura final.