Em relação aos fatores de risco cardiovasculares, assinale a opção incorreta.
- A)Estudos epidemiológicos sugerem uma associação entre a exposição ao material particulado presente na poluição atmosférica e um maior risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais.
Certa: a exposição ao material particulado da poluição atmosférica se associa a maior risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais.
- B)Estresse psicossocial está associado ao desenvolvimento e progressão de doença cardiovascular aterosclerótica, independentemente dos fatores de risco tradicionais.
Certa: o estresse psicossocial é reconhecido como fator associado à doença cardiovascular aterosclerótica, independentemente dos fatores tradicionais.
- C)A condição socioeconômica não apresenta relação com o prognóstico ou desenvolvimento de doença cardiovascular.
Errada: a condição socioeconômica tem relação com desenvolvimento e prognóstico cardiovascular, influenciando risco e acesso a prevenção e tratamento.
- D)A avaliação do espessamento médio-intimal carotídeo não deve ser utilizada rotineiramente para a estratificação do risco cardiovascular.
Certa: o espessamento médio-intimal carotídeo não deve ser usado rotineiramente na estratificação do risco cardiovascular.
- E)Em pacientes com influenza, o risco de infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral aumenta nos primeiros dias após o diagnóstico da infecção.
Certa: a influenza aumenta temporariamente o risco de infarto do miocárdio e AVC nos primeiros dias após a infecção.
Gabarito: C
Quando a FGV fala de risco cardiovascular, ela gosta de sair do óbvio e cobrar os chamados fatores tradicionais e os fatores de risco "menos lembrados". Além de hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo e idade, entram na conversa poluição do ar, estresse psicossocial, condições socioeconômicas e infecções como influenza. A ideia central é simples: o coração não sofre só com colesterol e pressão alta, mas também com ambiente, contexto social e processos inflamatórios agudos. A alternativa incorreta é a que afirma que a condição socioeconômica não tem relação com prognóstico ou desenvolvimento de doença cardiovascular. Isso está errado porque baixa condição socioeconômica se associa a maior risco cardiovascular e pior desfecho, por múltiplos mecanismos: menor acesso a cuidados, maior exposição a estresse crônico, menor adesão a tratamento, pior dieta e mais barreiras ao controle dos fatores de risco. Em diretrizes e revisões da cardiologia preventiva, o status socioeconômico é reconhecido como determinante importante de saúde cardiovascular. As demais assertivas seguem o que a literatura descreve. A poluição por material particulado aumenta eventos cardiovasculares, o estresse psicossocial contribui para a aterosclerose, o espessamento médio-intimal carotídeo não é exame de rotina para estratificação de risco em todas as pessoas, e a influenza aumenta transitoriamente o risco de IAM e AVC nos primeiros dias após o diagnóstico. Em resumo: o coração também sente o peso do ambiente e da vida real, não apenas do laboratório.