Paciente do sexo feminino, 50 anos, procura atendimento com relato de nervosismo, agitação, emagrecimento e palpitações. Tem diagnóstico de hipertensão e diabetes mellitus tipo 2; faz uso de losartana e metformina. Exames laboratoriais evidenciaram os resultados a seguir: TSH: 0,1mUI/L; T4 livre: 4,0ng/dl; anti-TPO: 350U/mL; antitireoglobulina: 1123UI/mL. Ao exame físico apresenta bócio difuso, exoftalmia, PA: 140X90 mmHg; FC: 110bpm. O restante do exame, sem alterações significativas. Assinale a opção que indica o diagnóstico provável, de acordo com o quadro clinico descrito.
- A)Doença de Graves
Correta, pois o quadro de hipertireoidismo com bócio difuso e exoftalmia é típico de Doença de Graves.
- B)Tireoidite de Hashimoto.
Errada, porque a tireoidite de Hashimoto geralmente leva a hipotireoidismo, e não a exoftalmia e hipertireoidismo franco.
- C)Tireoidite de Riedel.
Errada, pois a tireoidite de Riedel é uma forma fibrosante rara, com tireoide endurecida e compressiva, não esse quadro de hipertireoidismo.
- D)Tireoidite de Quervain.
Errada, porque a tireoidite de Quervain costuma ser dolorosa, pós-viral e transitória, geralmente sem exoftalmia.
- E)Tireoidite induzida por fármaco.
Errada, já que a tireoidite induzida por fármaco depende de exposição medicamentosa e não explica bem bócio difuso com oftalmopatia.
Gabarito: A
A paciente tem um quadro clássico de hipertireoidismo: nervosismo, emagrecimento, palpitações, TSH suprimido e T4 livre elevado. Quando isso vem junto de bócio difuso e exoftalmia, o diagnóstico quase grita na sua cara: Doença de Graves. A exoftalmia é uma pista muito forte, porque aponta para acometimento autoimune extratireoidiano, algo bem típico dessa doença. Os anticorpos antitireoidianos elevados ajudam a confirmar a natureza autoimune do processo, mas, na prática da prova, o conjunto clínico pesa mais: hipertireoidismo + bócio difuso + oftalmopatia. Na Doença de Graves, o corpo produz autoanticorpos contra o receptor de TSH, estimulando a tireoide a trabalhar demais. Resultado: TSH baixo, T4 alto e sintomas de aceleração geral. A pegadinha aqui é confundir com tireoidite de Hashimoto só porque anti-TPO e antitireoglobulina estão altos. Hashimoto também é autoimune, mas costuma cursar com hipotireoidismo, e não com exoftalmia e bócio difuso hiperfuncionante. Ou seja, o anticorpo chama atenção, mas o fenótipo clínico manda na resposta. Em resumo: em caso de hipertireoidismo com exoftalmia e bócio difuso, pense primeiro em Doença de Graves. É o tipo de questão em que a clínica dá a senha, e os exames apenas colocam o ponto final.