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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente de 45 anos, sexo feminino, previamente hígida, exceto por diagnóstico prévio de enxaqueca. Hoje, ela procurou a emergência em virtude de novo episódio de cefaleia, diferente dos episódios anteriores, dessa vez localizada na região temporal direita, de forte intensidade e contínua há 2 horas, acompanhada de paresia faciobraquiocrural esquerda grau 3. Ao exame apresentava miose e ptose do olho direito. PA 140 x 80 mmHg. O diagnóstico foi realizado após ressonância magnética (RM) de crâneo. Nesse caso, o tratamento do quadro neurológico e a prevenção de AVC isquêmico devem ser feitos com

Gabarito: E

O quadro descreve muito bem uma dissecção de artéria carótida interna: cefaleia unilateral nova, intensa, síndrome de Horner ipsilateral (miose e ptose) e déficit neurológico focal contralateral. Em prova, esse conjunto é praticamente um alerta em neon. A ressonância confirma o diagnóstico, mas quem manda na conduta é a presença de isquemia cerebral aguda e o tempo de início dos sintomas. Quando o paciente tem AVC isquêmico agudo e está dentro da janela terapêutica, o tratamento de reperfusão pode ser feito com alteplase, desde que não haja contraindicações. Isso trata o evento neurológico agudo. Depois, para reduzir o risco de novo AVC, usa-se antiagregação plaquetária, especialmente AAS, que é uma escolha clássica em provas quando a questão fala em prevenção secundária nesse contexto. A lógica da FGV aqui é esta: dissecção cervical pode causar tromboembolismo e AVC isquêmico, então você pensa em tratar a isquemia agora e prevenir recorrência depois. Não é caso de triptano, nem de remédio de dor, nem de anticoagulação de rotina como resposta obrigatória. O gabarito E junta justamente a conduta aguda e a prevenção secundária mais cobrada. Em resumo: suspeitou de dissecção com déficit focal agudo, pense em protocolo de AVC isquêmico. Se estiver em janela e elegível, alteplase; para prevenção, AAS.

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