Em relação aos medicamentos biológicos usados na Reumatologia, é correto afirmar que
- A)a administração do Rituximabe tem sido associada à reativação de casos de hepatite B.
Certa: o rituximabe pode reativar hepatite B, exigindo rastreio prévio e, em situações indicadas, profilaxia antiviral.
- B)rituximabe tem baixas taxas de reações infusionais quando comparado a outros imunobiológicos.
Errada: o rituximabe costuma causar reações infusionais, especialmente na primeira infusão, então não é um biológico de baixas taxas nesse aspecto.
- C)casos de psicose grave têm sido relatados entre os efeitos colaterais mais comuns do belimumabe.
Errada: psicose grave não é efeito colateral comum do belimumabe, cujo perfil de segurança é outro.
- D)belimumabe tem demonstrado sua eficácia em formas severas de acometimento renal com proteinúria > 3g no lúpus eritematoso.
Errada: o belimumabe pode ter papel no lúpus, mas a afirmação exagera sua eficácia em nefrite lúpica severa com proteinúria alta.
- E)etanercepte e medicamentos anti-IL-17 são recomendados nas espondiloartrites, especialmente no cenário de uveíte e doença inflamatória intestinal (DII).
Errada: uveíte e DII geralmente favorecem anti-TNF monoclonais; anti-IL-17 pode até piorar DII, então essa recomendação está inadequada.
Gabarito: A
Na Reumatologia, os biológicos exigem atenção porque, além de ajudarem muito no controle da doença, podem mexer com o sistema imunológico de um jeito que traz efeitos adversos bem característicos. Um exemplo clássico é o rituximabe, um anti-CD20 que depleta linfócitos B: por isso, antes de iniciar o tratamento, deve-se rastrear hepatite B, pois há risco de reativação viral. Esse ponto é cobrado com frequência em prova e é exatamente o que torna a alternativa A correta. O raciocínio é simples: ao reduzir a resposta imune humoral, o rituximabe pode “destravar” vírus que estavam silenciosos, especialmente o HBV. Isso não é detalhe de bula só para enfeitar - é conduta prática, com necessidade de triagem sorológica e, em muitos casos, profilaxia antiviral conforme o perfil do paciente. Já o belimumabe é um anti-BLyS usado no lúpus eritematoso sistêmico, mas não costuma ser lembrado por psicose grave como efeito comum. E, embora seja útil em alguns cenários do lúpus, sua eficácia não é a resposta clássica para formas renais severas com grande proteinúria como a questão sugere. Nas espondiloartrites, a escolha do biológico também depende do órgão-alvo: anti-TNF e algumas outras classes entram no jogo, mas uveíte e doença inflamatória intestinal mudam bastante a preferência terapêutica. Por isso, em prova, vale desconfiar quando a alternativa mistura doença reumatológica, efeito adverso e indicação terapêutica de forma “bonita demais” para ser verdadeira.