Paciente de 68 anos, portador de declínio cognitivo progressivo em múltiplas funções, há aproximadamente 10 meses, com relativa preservação da memória, mas perda funcional intensa devido à quadro de rigidez, ataxia da marcha, múltiplas quedas e bradicinesia. Apresenta alucinações visuais recorrentes e sono extremamente agitado desde o início do quadro, que vem levando à uma sobrecarga da família nos cuidados. Considerando a causa mais provável de demência nesse caso, o medicamento que deve ser evitado por risco de hipersensibilidade grave é
- A)a rivastigmina.
A rivastigmina não deve ser evitada nesse contexto; ela pode ser benéfica para sintomas cognitivos e alucinações na demência com corpos de Lewy.
- B)o haloperidol.
O haloperidol deve ser evitado porque antipsicóticos típicos podem causar hipersensibilidade grave e piora acentuada do parkinsonismo nessa demência.
- C)a memantina.
A memantina não é a principal preocupação de hipersensibilidade grave aqui; o problema maior é com fármacos que bloqueiam fortemente dopamina.
- D)a lamotrigina.
A lamotrigina não tem papel clássico no tratamento desse quadro e não é o medicamento associado ao risco descrito no enunciado.
- E)a clonidina.
A clonidina não é o fármaco típico relacionado à hipersensibilidade grave na demência com corpos de Lewy e não explica a armadilha da questão.
Gabarito: B
O quadro descrito aponta fortemente para demência com corpos de Lewy: há declínio cognitivo progressivo, mas com relativa preservação da memória no início, além de parkinsonismo bem marcado, alucinações visuais recorrentes e sono REM muito agitado. Esse conjunto é quase um retrato clássico do diagnóstico, e na prática ele costuma enganar quem pensa primeiro em Alzheimer, quando o roteiro aqui é outro. Um detalhe importante dessa demência é a hipersensibilidade a antipsicóticos, especialmente os de maior bloqueio dopaminérgico. Por isso, medicamentos como o haloperidol devem ser evitados, porque podem piorar muito a rigidez, a bradicinesia, a confusão e até precipitar reações graves, com risco funcional e clínico importante. É uma armadilha bastante cobrada em prova e muito cobrada na vida real também. Já os inibidores da acetilcolinesterase, como a rivastigmina, costumam ser úteis para sintomas cognitivos e neuropsiquiátricos na demência com corpos de Lewy. Em outras palavras: aqui não é hora de “apagar” o paciente com um bloqueador potente de dopamina, mas sim de evitar o remédio que pode derrubar ainda mais um cérebro que já está sensível. Então, pela causa mais provável da demência apresentada, o fármaco que deve ser evitado por risco de hipersensibilidade grave é o haloperidol.