Mulher de 52 anos com história de rinite alérgica e tabagista passiva é admitida na emergência por tosse produtiva, dispneia subjetiva e cansaço. Refere ter tratado pneumonia há cerca de um mês, melhorando da febre e do aspecto e volume do escarro, persistindo os demais sintomas. Ao exame: taquipneia leve, PA 130 X 80mmHg, FC 90 bpm, FR 24 irpm, SatO2 95% em ar ambiente, ausculta respiratória com sibilos difusos. Paciente traz espirometria feita no passado enquanto estava assintomática, revelando os seguintes achados: VEF1,0 reduzido, CVF reduzida, VEF1,0/CVF reduzido com prova broncodilatadora positiva. Sobre o caso em questão, é correto afirmar que:
- A)VEF1,0/CVF<75% confirma o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica;
Errada, porque VEF1/CVF reduzido sugere padrão obstrutivo, mas não confirma sozinho DPOC, que exige contexto clínico e, em geral, obstrução persistente pós-broncodilatador.
- B)a medida do peak flow tem pouco valor no acompanhamento ambulatorial da asma, não sendo recomendado rotineiramente;
Errada, porque o peak flow tem valor no acompanhamento da asma, ajudando a monitorar controle e detectar piora, sendo recomendado em muitos planos de ação.
- C)a realização da prova de função respiratória tem maior acurácia no diagnóstico de estratificação pulmonar quando feita no momento da agudização dos sintomas;
Errada, porque a prova de função respiratória costuma ser mais útil fora da agudização, quando a interpretação do padrão funcional e da reversibilidade fica mais confiável.
- D)o índice de Tiffeneau reduzido com prova broncodilatadora positiva corrobora o diagnóstico de asma brônquica;
Certa, porque índice de Tiffeneau reduzido com resposta broncodilatadora positiva indica obstrução reversível, achado que favorece o diagnóstico de asma brônquica.
- E)falha no esquema antimicrobiano de tratamento para a pneumonia pode justificar os sintomas atuais.
Errada, porque falha no tratamento da pneumonia não explica bem a combinação de sibilos difusos e padrão espirométrico obstrutivo com reversibilidade.
Gabarito: D
A questão mistura clínica e espirometria, e isso é bem comum em pneumologia: o quadro da paciente sugere doença obstrutiva com reversibilidade, não apenas sequela de infecção recente. Ela tem sibilos difusos, dispneia, tosse produtiva e história de rinite alérgica, que aponta para um terreno atópico. Além disso, a espirometria feita quando ela estava assintomática já mostrava VEF1 reduzido, CVF reduzida, relação VEF1/CVF reduzida e resposta positiva ao broncodilatador, conjunto típico de obstrução com reversibilidade, o que favorece asma brônquica. Na espirometria, o índice de Tiffeneau é a relação VEF1/CVF. Quando ele está reduzido, há padrão obstrutivo. Se esse achado vem acompanhado de prova broncodilatadora positiva, isso significa que há melhora significativa do fluxo aéreo após broncodilatador, característica que corrobora asma. Em DPOC, pode haver obstrução persistente, mas a reversibilidade importante é mais sugestiva de asma, especialmente em paciente com rinite alérgica e sintomas variáveis. Vale lembrar um detalhe de prova: a espirometria ajuda muito quando o paciente está fora da crise, porque registra a variabilidade da obstrução e a resposta ao broncodilatador. Durante agudização, o exame pode ficar pior, mas nem sempre é o melhor momento para fechar diagnóstico de forma limpa. Em asma, o pico de fluxo expiratório (peak flow) também é útil para monitorar o controle, especialmente em acompanhamento ambulatorial e plano de ação. O ponto central, então, é que a paciente já tem um exame funcional mostrando obstrução reversível, o que sustenta asma brônquica. A pneumonia tratada há um mês pode ter deixado tosse residual, mas não explica tão bem sibilância difusa e reversibilidade ao broncodilatador. O quadro atual deve ser lido como doença obstrutiva de base com sintomas persistentes, e não como simples falha antibiótica.