Paciente de 10 anos, com histórico prévio de diabetes tipo 1, é trazida ao pronto-socorro pelo pai, que relata que ela tem estado doente nos últimos dias, com aumento da sede, frequente vontade de urinar e fraqueza. Ao examinar a criança, o médico constata desidratação, taquipneia e um odor frutado na respiração. Com base nos achados clínicos e nos exames laboratoriais, o diagnóstico de cetoacidose diabética é confirmado. Assinale a opção que indica a conduta apropriada para o manejo da cetoacidose diabética em crianças, de acordo com as diretrizes para cuidados emergenciais da Sociedade Brasileira de Diabetes.
- A)Administrar insulina de ação rápida em bolus e iniciar fluidoterapia com solução glicosada 5%.
Errada: não se faz bolus de insulina e a hidratação inicial não deve ser com solução glicosada 5%, porque primeiro é preciso repor volume com soro isotônico.
- B)Iniciar administração de bicarbonato de sódio para corrigir a acidose metabólica.
Errada: bicarbonato não é indicado de rotina na cetoacidose diabética e pode piorar a evolução em vez de resolver o problema.
- C)Iniciar imediatamente hipoglicemiante oral, repor eletrólitos e repor as perdas hídricas estimadas.
Errada: hipoglicemiante oral não trata cetoacidose diabética; o quadro exige insulinoterapia intravenosa, reposição hídrica e correção de eletrólitos.
- D)Suspender o tratamento com insulina de ação prolongada e iniciar insulina de ação rápida para estabilizar a glicemia.
Errada: suspender a insulina de ação prolongada não é a conduta central, e trocar apenas por insulina de ação rápida sem o protocolo de hidratação e monitorização não resolve a emergência.
- E)Iniciar imediatamente a administração de insulina regular por via intravenosa e reposição de fluidos com solução salina isotônica.
Certa: a conduta inicial é infusão intravenosa de insulina regular associada à reposição de fluidos com solução salina isotônica, com monitorização de eletrólitos e glicemia.
Gabarito: E
A cetoacidose diabética na criança é uma emergência real, daquelas que pedem calma, protocolo e nada de improviso. O quadro clássico junta hiperglicemia, desidratação, vômitos, respiração de Kussmaul/taquipneia e hálito cetônico, como no enunciado. O primeiro passo é repor volume com solução salina isotônica, porque a prioridade inicial é perfusão e correção da hipovolemia. Depois da hidratação inicial, entra a insulina regular por via intravenosa em infusão contínua. A ideia não é fazer bolo de insulina, nem correr para hipoglicemiante oral, porque a glicemia precisa cair de forma gradual e segura, enquanto a cetose vai sendo corrigida. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, em linha com a prática pediátrica, orientam insulina regular IV e fluidoterapia com soro fisiológico 0,9% no início do manejo. Outro detalhe importante: bicarbonato não é tratamento de rotina na cetoacidose diabética. Ele fica restrito a situações bem excepcionais, pois pode trazer mais risco do que benefício. E, claro, a reposição de eletrólitos, especialmente potássio, faz parte do cuidado, mas sempre com monitorização e ajuste conforme exames. Por isso, a alternativa correta é a que combina insulina regular intravenosa com reposição volêmica isotônica. É o tipo de questão em que a banca gosta de testar se você sabe que, na cetoacidose, primeiro você estabiliza circulação e depois corrige a glicose com protocolo, sem atalhos heroicos.