Paciente branco, sexo masculino, 60 anos, vem em consulta médica com queixa de odinofagia à direita e engasgos há 6 meses. Ao exame físico, havia blastoma de base de língua à direita e linfonodomegalia em nível cervical II. Foi realizada a biópsia cervical, compatível com carcinoma escamoso, p16 positivo. Exames de estadiamento sem evidência de doença à distância. O paciente foi tabagista durante 5 anos, 1 maço ao dia, porém parou há 30 anos. Etilista social. Passado de carcinomas basocelulares de pele, ressecados. Nega outras comorbidades. Com relação ao caso descrito, assinale a afirmativa correta.
- A)O status HPV positivo está relacionado a pior prognóstico em neoplasias malignas de orofaringe.
Errada, porque o status HPV positivo em orofaringe costuma estar associado a melhor prognóstico, não pior.
- B)A cirurgia primária não é considerada uma opção em neoplasia primária de orofaringe com acometimento cervical.
Errada, porque a cirurgia primária pode ser opção em casos selecionados de orofaringe, inclusive com acometimento cervical.
- C)O cetuximabe é um inibidor de tirosina quinase contra EGFR, o receptor do fator de crescimento epidérmico.
Errada, porque o cetuximabe é um anticorpo monoclonal anti-EGFR, e não um inibidor de tirosina quinase.
- D)O cetuximabe se mostrou superior à quimioterapia no tratamento concomitante com radioterapia em câncer de orofaringe HPV-positivo.
Errada, porque o cetuximabe não foi superior à quimioterapia com radioterapia no câncer de orofaringe HPV-positivo.
- E)A cisplatina é o tratamento padrão em combinação com radioterapia para câncer de orofaringe HPV-positivo localmente avançado.
Certa, porque a cisplatina é o tratamento padrão em associação com radioterapia para câncer de orofaringe HPV-positivo localmente avançado, quando o paciente tem condições clínicas para recebê-la.
Gabarito: E
Este caso é típico de câncer de orofaringe HPV-relacionado: tumor de base de língua, carcinoma escamoso e p16 positivo. O p16 é um marcador indireto de infecção por HPV e, em geral, esses tumores têm melhor resposta ao tratamento e melhor prognóstico do que os HPV-negativos. Aqui, o estadiamento não mostrou metástase à distância, então estamos falando de doença localmente avançada, em que a radioterapia associada à quimioterapia é estratégia clássica. No cenário de orofaringe HPV-positivo localmente avançado, a cisplatina é o radiossensibilizante padrão quando o paciente tem condição clínica para recebê-la. Ela segue como referência terapêutica porque melhora controle locorregional e desfechos oncológicos. A presença de linfonodo cervical não exclui tratamento com intenção curativa, e a escolha entre cirurgia, radioterapia ou abordagem combinada depende de anatomia tumoral, extensão e preservação funcional. Vale lembrar que o cetuximabe não é inibidor de tirosina quinase: ele é um anticorpo monoclonal contra EGFR. E mais importante para a prova, ele não se mostrou superior à cisplatina quando comparado em câncer de orofaringe HPV-positivo tratado com radioterapia. Pelo contrário, os estudos mostraram pior desempenho oncológico do cetuximabe em relação à cisplatina. Então, o ponto-chave da questão é reconhecer que, em câncer de orofaringe HPV-positivo localmente avançado, com paciente apto, a combinação de cisplatina com radioterapia permanece o tratamento padrão. A banca gosta muito de misturar marcador molecular, mecanismo do cetuximabe e escolha do esquema concomitante, tudo na mesma panela.