Durante a investigação ecocardiográfica de pacientes com suspeita de endocardite infecciosa, o exame transesofágico pode ser prescindido na seguinte situação:
- A)presença de prótese mitral mecânica.
Errada, porque prótese mitral mecânica é indicação forte de transesofágico, já que o transtorácico costuma ter pior desempenho nesse contexto.
- B)imagem transtorácica prejudicada por janela inadequada.
Errada, porque janela transtorácica inadequada é justamente motivo para complementar com transesofágico.
- C)endocardite mitral confirmada com suspeita de abscesso perivalvar.
Errada, porque suspeita de abscesso perivalvar exige transesofágico para melhor avaliação de complicações.
- D)exame transtorácico normal em paciente com alta probabilidade clínica de endocardite.
Errada, porque exame transtorácico normal com alta probabilidade clínica não afasta endocardite e pede transesofágico.
- E)endocardite isolada confirmada de válvula nativa tricúspide com imagem adequada pelo exame transtorácico.
Certa, porque na endocardite isolada de válvula nativa tricúspide com boa imagem transtorácica, o transesofágico pode ser dispensado.
Gabarito: E
Na suspeita de endocardite infecciosa, o ecocardiograma transtorácico costuma ser o primeiro passo, mas o transesofágico entra quando a imagem de fora do tórax não resolve bem a história. Ele é especialmente importante quando há prótese valvar, suspeita de abscesso, exame transtorácico normal com alta suspeita clínica ou janela ruim, porque ele enxerga melhor vegetações pequenas e complicações perivalvares. Agora vem o ponto da questão: o transesofágico pode ser dispensado quando já existe endocardite isolada confirmada em válvula nativa tricúspide e o transtorácico mostrou imagem adequada. Isso faz sentido porque a tricúspide é uma valva do lado direito, geralmente mais bem vista ao transtorácico, então o exame mais invasivo não acrescenta muito nesse cenário específico. Em outras palavras, se o transtorácico já respondeu bem e o quadro é de endocardite direita isolada em válvula nativa tricúspide, você não precisa “ir até o esôfago” só por esporte. Mas se houver prótese, dúvida diagnóstica, suspeita de abscesso ou exame ruim, o transesofágico vira praticamente obrigatório na prática clínica. Em prova, a lógica é: TTE primeiro; TEE para aumentar sensibilidade e procurar complicações, salvo a exceção clássica da endocardite direita nativa com boa janela transtorácica.