Menino de 11 anos de idade informa ter acordado com dor no testículo direito, de forte intensidade, com hipersensibilidade local e náuseas. Sem alívio com analgesia oral. Início do quadro há 7 horas. O exame clínico é difícil, pois o escroto está edemaciado e eritematoso. Ausência do reflexo cremastérico à direita. Não há possibilidade de realizar exame de imagem de imediato. Nesse caso, a conduta adequada é
- A)analgesia e gelo local.
Errada, porque analgesia e gelo não tratam a isquemia testicular nem podem atrasar a resolução cirúrgica.
- B)analgesia e antibiótico venoso. Internar e acompanhar a evolução clínica.
Errada, pois antibiótico e observação fazem sentido em infecção, mas aqui o quadro aponta muito mais para torção testicular do que para orquite/epididimite.
- C)transferir o paciente para instituição com possibilidade de fazer exame de imagem, daqui a pelo menos 2 horas.
Errada, porque esperar mais 2 horas para fazer imagem pode comprometer a viabilidade do testículo em um quadro com forte suspeita clínica.
- D)abordagem cirúrgica imediata.
Certa, pois a suspeita clínica de torção testicular impõe exploração cirúrgica imediata quando não há imagem disponível na hora.
- E)corticóide, anti-inflamatórios não hormonais e antibióticos.
Errada, porque corticosteroide, anti-inflamatório e antibiótico não resolvem a obstrução vascular causada pela torção.
Gabarito: D
A dor testicular aguda em menino pré-púbere ou adolescente sempre deve fazer você pensar em torção testicular até prova em contrário. O quadro clássico é dor súbita e intensa, náuseas, escroto doloroso, edema e, muitas vezes, ausência do reflexo cremastérico. Aqui, o conjunto é bem típico: 7 horas de evolução, dor forte, hipersensibilidade, edema, eritema e reflexo cremastérico ausente à direita. O ponto principal é que a torção testicular é uma emergência urológica tempo-dependente. Quanto mais cedo a descompressão cirúrgica e a detorsão, maior a chance de salvar o testículo. Depois de algumas horas, a viabilidade começa a cair rapidamente, então não faz sentido "esperar exame" quando o quadro clínico já é forte o bastante. Em situações como esta, se não há possibilidade de imagem imediata, a conduta é agir: abordagem cirúrgica imediata, com exploração escrotal, detorsão e orquidopexia. Se o testículo estiver inviável, pode ser necessária a orquiectomia. Em resumo: suspeitou clinicamente, não perca tempo. Nesse tema, a banca costuma valorizar o raciocínio de urgência mais do que a dependência de ultrassom. Por isso o gabarito D está correto: o quadro é altamente sugestivo de torção testicular, e a conduta adequada é cirurgia imediata, sem atrasar para transferência ou observação.