O herbicida Glifosato, agrotóxico utilizado no Brasil em diversos tipos de lavouras, é apontado como causador de
- A)doenças neurodegenerativas, efeitos cardiovasculares e hepáticos, câncer, e distúrbios reprodutivos, incluindo infertilidade.
Certa: reúne os principais efeitos crônicos atribuídos ao glifosato, como toxicidade neurológica, hepática, cardiovascular, risco de câncer e alterações reprodutivas.
- B)fibrose pulmonar de caráter irreversível, levando ao óbito por insuficiência respiratória.
Errada: fibrose pulmonar irreversível não é a associação clássica do glifosato e lembra outros agentes tóxicos ocupacionais.
- C)hepatite tóxica aguda ou crônica, dependendo da intensidade e tempo de exposição.
Errada: hepatite tóxica pode ocorrer em várias intoxicações, mas essa formulação é inespecífica e não traduz o perfil cobrado para o glifosato.
- D)alterações neurológicas graves relacionadas com o metabolismo da acetil-colinesterase.
Errada: inibição da acetilcolinesterase é típica de organofosforados e carbamatos, não do glifosato.
- E)alterações hormonais crônicas devido disruptores endócrinos, que se agravam com o tempo de exposição, incluindo patologias da tireóide, paratireoides, pâncreas, hipófise, e suprarrenais.
Errada: apesar de a discussão sobre desregulação endócrina existir, a alternativa é mais genérica e não é a associação clássica cobrada para o glifosato.
Gabarito: A
O glifosato é um herbicida amplamente usado na agricultura e, em provas, costuma aparecer associado a efeitos tóxicos crônicos debatidos na literatura. A ideia central aqui é lembrar que a questão não está cobrando uma intoxicação aguda clássica, e sim os possíveis efeitos de exposição prolongada ao agrotóxico, especialmente em trabalhadores rurais e populações expostas no ambiente. Em linguagem de prova, a banca gosta de ligar o glifosato a um pacote de desfechos sistêmicos: alterações neurológicas, cardiovasculares, hepáticas, risco de câncer e problemas reprodutivos. É por isso que a alternativa A é a melhor resposta. Ela reúne justamente os efeitos descritos em estudos observacionais e avaliações toxicológicas, com destaque para neurodegeneração, toxicidade hepática e cardiovascular, além de associação com neoplasias e distúrbios da fertilidade. Não significa que haja consenso absoluto para todo e qualquer desfecho, mas para fins de concurso a banca costuma cobrar o conjunto de danos crônicos atribuídos ao composto. As outras alternativas tentam confundir com quadros típicos de outros tóxicos. Fibrose pulmonar irreversível lembra mais poeiras e algumas pneumoconioses, hepatite tóxica isolada é genérica demais para definir glifosato, e alterações ligadas à acetilcolinesterase são a cara dos organofosforados, não do glifosato. Já o quadro de disfunção endócrina também é uma associação mais ampla e menos específica do que a descrita na alternativa correta. Em prova, guarde a lógica: glifosato não é o herbicida clássico da acetilcolinesterase, nem o campeão da fibrose pulmonar. O foco da cobrança costuma ser a suspeita de toxicidade crônica multissistêmica, com destaque para câncer e distúrbios reprodutivos. Em medicina de concurso, às vezes a banca quer menos a bioquímica pura e mais o mapa geral do veneno.