No tratamento das fraturas desviadas do colo femoral, a qualidade da redução pode ser avaliada pelo critério descrito por Garden. Segundo Garden: I. no pós operatório, na incidência em AP, o ângulo formado pelo eixo do colo do fêmur e o eixo formado pela diáfise do fêmur deve ser de 160 graus. II. no pós operatório, na incidência em AP, o ângulo formado pelo eixo do colo do fêmur e o eixo formado pela diáfise do fêmur deve ser de 125 graus. III. no pós operatório, na incidência em AP, o ângulo formado pelo eixo central do sistema trabecular medial da cabeça e cortical medial deve ser 160 graus. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Errada, porque a referência de 160 graus não é o ângulo colo-diáfise, e sim o alinhamento radiográfico usado no critério de Garden.
- B)II, apenas.
Errada, pois 125 graus é o valor anatômico aproximado do ângulo colo-diáfise do fêmur, não o parâmetro de qualidade da redução pelo critério de Garden.
- C)III, apenas.
Certa, porque o critério de Garden na incidência AP avalia o alinhamento do sistema trabecular medial da cabeça femoral com a cortical medial, em torno de 160 graus.
- D)I e II, apenas.
Errada, porque a afirmativa I usa um dado de 160 graus em um contexto incorreto e a II traz o ângulo colo-diáfise anatômico, que não define a redução pelo Garden.
- E)II e III, apenas.
Errada, porque a II não corresponde ao critério de Garden e, embora a III esteja correta, a combinação proposta não fecha.
Gabarito: C
No desvio das fraturas do colo femoral, a qualidade da redução pode ser conferida pelo critério de Garden, que é um jeito radiográfico de ver se o encaixe ficou bem alinhado. A ideia central é simples: depois da redução, você quer uma boa congruência entre a cabeça femoral e o colo, sem varo nem valgo exagerados, e isso aparece na radiografia AP como um alinhamento adequado das trabéculas da cabeça femoral com a cortical medial. O ponto clássico cobrado é o Garden alignment angle na incidência AP, que deve ficar em torno de 160 graus. Não é o ângulo colo-diáfise de 125 graus, que é o valor anatômico usual do fêmur, mas sim o alinhamento radiográfico usado para julgar a redução. Por isso, quando a assertiva fala do sistema trabecular medial da cabeça e cortical medial em 160 graus, ela está falando a linguagem certa do Garden. Já as afirmações que misturam esse critério com o eixo do colo e a diáfise escorregam feio, porque trocam um parâmetro de avaliação da redução por um valor anatômico do fêmur. Em prova, a banca adora esse tipo de troca: pega um número verdadeiro da ortopedia e coloca no conceito errado, como se fosse a mesma coisa. Assim, o gabarito é a letra C, porque somente a afirmativa III corresponde ao critério de Garden para avaliar o pós-operatório das fraturas desviadas do colo femoral.