Em relação aos padrões reversíveis de disfunção isquêmica, que podem ocorrer em segmentos de miocárdio viável, analise as afirmativas a seguir. I. Por definição, no miocárdico atordoado pós-isquêmico o fluxo coronariano ainda se encontra significativamente reduzido. II. No miocárdio hibernante resultante de isquemia crônica, há graus variáveis de melhora funcional após restabelecimento do fluxo coronariano. III. A recuperação funcional após a revascularização de um segmento miocárdico hibernante pode ocorrer em até 12 meses. Está correto o que se afirma em
- A)II e III, apenas.
A alternativa reúne as assertivas II e III. A II descreve corretamente o miocárdio hibernante: trata-se de tecido viável submetido a isquemia crônica, com disfunção contrátil que pode melhorar após a reperfusão/revascularização. A III também está de acordo com a evolução clínica, porque a recuperação funcional do segmento hibernante pode ser lenta e se estender por meses, chegando a cerca de 12 meses.
- B)I e III, apenas.
Esta opção afirma que estão corretas as assertivas I e III. A III realmente corresponde ao comportamento do miocárdio hibernante após a revascularização, mas a I erra ao atribuir ao miocárdio atordoado pós-isquêmico uma redução significativa do fluxo coronariano. No miocárdio atordoado, o fluxo já foi restabelecido; o problema é a disfunção contrátil transitória que persiste apesar da reperfusão.
- C)I e II, apenas.
Aqui se sustenta que as assertivas I e II estariam corretas. A II está certa porque o miocárdio hibernante, decorrente de isquemia crônica, costuma recuperar função em graus variáveis depois que o fluxo é restabelecido. Já a I está incorreta, pois o miocárdio atordoado é justamente o segmento viável que permanece disfuncionante após isquemia/reperfusão, mas sem manter, por definição, fluxo coronariano significativamente reduzido.
- D)II, apenas.
Esta alternativa considera apenas a assertiva II como correta. A II realmente traduz o conceito de miocárdio hibernante: disfunção por isquemia crônica com possibilidade de melhora funcional após revascularização. O problema é que a III também é verdadeira, porque a recuperação do miocárdio hibernante pode ser tardia e continuar ao longo de muitos meses, inclusive até 12 meses, de modo que a resposta fica incompleta.
- E)I, apenas.
A opção afirma que somente a assertiva I estaria correta. Isso não procede porque o miocárdio atordoado pós-isquêmico não mantém fluxo coronariano significativamente reduzido; o que persiste é a disfunção contrátil após a reperfusão. Além disso, as assertivas II e III descrevem adequadamente o miocárdio hibernante e sua recuperação funcional após a revascularização.
Gabarito: A
A questão cobra dois padrões clássicos de disfunção isquêmica reversível em miocárdio viável: o miocárdio atordoado e o miocárdio hibernante. O atordoado aparece após um episódio agudo de isquemia com reperfusão: a perfusão já foi restabelecida, mas a contração fica temporariamente deprimida. Ou seja, o fluxo coronariano não permanece significativamente reduzido por definição, então a afirmativa I está errada. Já o miocárdio hibernante surge na isquemia crônica, com redução persistente do fluxo e adaptação do músculo para sobreviver em “modo economia”. Quando você revasculariza, a função pode melhorar em graus variáveis, porque o tecido ainda é viável. Então a afirmativa II está correta. A recuperação do hibernante não é instantânea. Ela pode ser lenta e gradual, chegando a ocorrer ao longo de meses, inclusive até 12 meses após a revascularização, o que torna a afirmativa III correta. Em termos práticos, a distinção é simples: atordoado = problema de contratilidade após reperfusão; hibernante = adaptação à baixa perfusão crônica com melhora após revascularizar. Por isso, o gabarito A está certo: somente II e III estão corretas.