O objetivo do tratamento da epilepsia é propiciar a melhor qualidade de vida possível para o paciente, pelo alcance de um adequado controle de crises, com um mínimo de efeitos adversos, buscando, idealmente, uma remissão total das crises. Os fármacos antiepilépticos são a base do tratamento da epilepsia. Os tratamentos não medicamentosos são viáveis apenas em casos selecionados, e são indicados após a falha dos medicamentos antiepilépticos. As opções a seguir apresentam os principais mecanismos de ação dos fármacos antiepilépticos, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Bloqueio dos canais de sódio.
Correta, porque vários antiepilépticos reduzem a excitabilidade neuronal por bloqueio de canais de sódio.
- B)Bloqueio dos canais de cálcio.
Correta, porque alguns antiepilépticos atuam sobre canais de cálcio, especialmente os relacionados a certas crises.
- C)Bloqueio dos canais de potássio.
Errada, porque o bloqueio de canais de potássio não é um dos principais mecanismos clássicos dos fármacos antiepilépticos.
- D)Aumento da inibição GABAérgica.
Correta, porque aumentar a inibição GABAérgica é um mecanismo clássico de ação anticonvulsivante.
- E)Ligação à proteína SV2A da vesícula sináptica.
Correta, porque a ligação à proteína SV2A é mecanismo conhecido de fármacos como o levetiracetam.
Gabarito: C
Na epilepsia, os antiepilépticos atuam reduzindo a excitabilidade neuronal por caminhos bem conhecidos: bloqueio de canais de sódio, modulação de canais de cálcio, reforço da inibição gabaérgica e ligação à proteína SV2A, entre outros. A ideia é simples: menos descarga elétrica desorganizada, mais controle das crises e menos efeito colateral para o paciente. Aqui, a banca quis testar se voce reconhece os mecanismos clássicos e os que realmente aparecem na prática. O bloqueio dos canais de sódio é um dos mecanismos mais lembrados, porque ajuda a impedir a propagação repetitiva do potencial de ação. Já os canais de cálcio, especialmente os do tipo T, também são alvo importante em alguns fármacos, sobretudo em certos tipos de crise. O sistema GABAérgico entra como freio natural do cérebro, então aumentar sua ação também faz sentido terapêutico. A SV2A, proteína da vesícula sináptica, virou alvo famoso com fármacos como o levetiracetam, que modulam a liberação de neurotransmissores. Agora, o ponto da questão está no canal de potássio: esse não é um dos principais mecanismos clássicos cobrados para os fármacos antiepilépticos. Por isso, a alternativa C é a incorreta. Em resumo: os antiepilépticos costumam atuar em canais de sódio, cálcio, inibição por GABA e SV2A. Canal de potássio até aparece em discussões de neurofisiologia, mas não como mecanismo principal da farmacologia antiepiléptica cobrada de forma padrão em prova.