O benzodiazepínico usado na manutenção da anestesia geral nas cirurgias cardíacas, em conjunto com opioides e outros fármacos anestésicos, devido às suas propriedades como hidrossolubilidade, ausência de metabólitos cumulativos e maior capacidade de amnésia retrógrada, entre outras, é o
- A)lorazepam.
Lorazepam é benzodiazepínico, mas não é o principal fármaco descrito para manutenção anestésica em cirurgia cardíaca com esse perfil farmacocinético.
- B)alprazolam.
Alprazolam é mais usado em ansiedade e pânico, não sendo o benzodiazepínico clássico da anestesia geral intravenosa.
- C)midazolam.
Midazolam é o benzodiazepínico com hidrossolubilidade, ação rápida e forte efeito amnésico, muito usado em anestesia balanceada, inclusive em cirurgia cardíaca.
- D)diazepam.
Diazepam é benzodiazepínico antigo e lipossolúvel, com metabólitos ativos e perfil menos adequado para essa indicação descrita.
- E)clonazepam.
Clonazepam é mais lembrado por uso anticonvulsivante e ansiolítico, não por manutenção da anestesia geral.
Gabarito: C
A questão pede o benzodiazepínico clássico da manutenção da anestesia geral, especialmente em cirurgias cardíacas, quando se busca sedação estável, amnésia e bom uso junto com opioides. Nessa cena, o nome que costuma aparecer é o midazolam, porque ele é hidrossolúvel, tem início rápido e, em comparação com outros benzodiazepínicos mais antigos, não gera metabólitos ativos com relevância cumulativa importante. Isso ajuda a entender por que ele virou tão querido na anestesia: entra bem, faz efeito de forma previsível e não fica “ecoando” por muito tempo no organismo. Além disso, o midazolam tem forte efeito amnésico, inclusive amnésia anterógrada, o que é muito útil no contexto anestésico. Em cirurgias cardíacas, ele pode ser associado a opioides e outros agentes anestésicos para compor uma anestesia balanceada, reduzindo a necessidade de doses altas de outros fármacos. Em termos práticos, ele é um benzodiazepínico com perfil mais amigável para uso intravenoso do que diazepam ou lorazepam, que não têm a mesma combinação de hidrossolubilidade e rapidez de ação. A lógica da questão é bem doutrinária de anestesiologia: o midazolam foi desenvolvido justamente para resolver limitações de benzodiazepínicos mais antigos, como lipossolubilidade excessiva e solventes menos confortáveis para uso clínico. Por isso, quando a banca fala em manutenção anestésica, cirurgias cardíacas, hidrossolubilidade e ausência de metabólitos cumulativos, ela está apontando direto para ele. Resumo de prova: se aparecer benzodiazepínico IV usado em anestesia, com amnésia e perfil curto, pense em midazolam antes de olhar as demais alternativas. As outras opções são benzodiazepínicos usados sobretudo como ansiolíticos, anticonvulsivantes ou sedativos, mas não são a escolha clássica descrita no enunciado.