Paciente de 50 anos realiza biopsia uterina com o resultado de câncer de endométrio. Para essa doença, é fator de risco:
- A)a idade tardia da menarca.
Errada, porque a menarca tardia reduz o tempo de exposição estrogênica e não é fator de risco para câncer de endométrio.
- B)o uso de SIU com levonorgestrel.
Errada, pois o SIU com levonorgestrel tem efeito progestagênico local e protege o endométrio.
- C)o histórico de múltiplas gestações.
Errada, já que múltiplas gestações aumentam a exposição à progesterona e são fator protetor.
- D)a síndrome dos ovários policísticos.
Certa, porque a SOP costuma causar anovulação crônica e exposição prolongada ao estrogênio sem oposição, elevando o risco endometrial.
- E)o uso de anticoncepcionais orais combinados.
Errada, porque os anticoncepcionais orais combinados reduzem o risco de câncer de endométrio ao oferecerem progestagênio e controlarem o estímulo estrogênico.
Gabarito: D
O câncer de endométrio tem forte relação com exposição prolongada ao estrogênio sem o efeito “freio” da progesterona. Em outras palavras, tudo o que aumenta ciclos anovulatórios, obesidade, nuliparidade, menarca precoce e menopausa tardia tende a elevar o risco. Já o que fornece progestagênio ou reduz a exposição estrogênica costuma proteger. A síndrome dos ovários policísticos entra bem nessa lógica: a paciente faz menos ovulação, produz menos progesterona e fica mais tempo sob estímulo estrogênico desbalanceado. Esse cenário favorece hiperplasia endometrial e, com o tempo, aumenta o risco de carcinoma de endométrio. Por isso, a alternativa D está correta. As demais opções seguem na direção oposta. SIU com levonorgestrel e anticoncepcionais orais combinados ajudam a proteger o endométrio, e o histórico de múltiplas gestações também reduz o risco por haver mais períodos com predominância de progesterona. Já menarca tardia diminui, e não aumenta, a exposição estrogênica ao longo da vida. É aquele tema clássico de prova: quando o endométrio fica “solto” ao estrogênio, ele reclama mesmo.