Um homem de 30 anos, vítima de acidente automobilístico, dá entrada na emergência com uma contusão no braço esquerdo, com formação de hematoma no local, sem fratura óssea associada. Realizado color ecodoppler arterial, o exame mostra um pequeno "flap" da íntima, não obstrutivo, na parte média da artéria braquial esquerda, sem sangramento ativo ou pseudoaneurisma. Assinale a conduta mais apropriada para essa lesão arterial.
- A)Ressecção e enxertia de interposição com veia safena.
Errada, porque ressecção com enxerto é indicada para lesões arteriais significativas, não para um flap íntimal pequeno e não obstrutivo.
- B)Observação e alta em 24 h se não houver qualquer mudança ao estado vascular.
Certa, pois a lesão é mínima, sem sangramento ativo, sem pseudoaneurisma e sem comprometimento vascular, permitindo observação com reavaliação.
- C)Ressecção e enxertia com PTFE.
Errada, porque PTFE é opção de reconstrução quando há necessidade de interposição, o que não ocorre nesse quadro estável e sem obstrução.
- D)Colocação de Stent na lesão.
Errada, porque stent não é a conduta de rotina em pequeno flap íntimal não obstrutivo de artéria braquial em trauma contuso.
- E)Anticoagulação por 6 meses com exames mensais de acompanhamento.
Errada, porque anticoagulação prolongada não é a medida padrão para esse tipo de lesão isolada e sem repercussão hemodinâmica.
Gabarito: B
Em trauma vascular de membro, nem toda lesão arterial vira sala de cirurgia. Quando o exame mostra apenas um pequeno flap de íntima, sem obstrução importante, sem extravasamento, sem pseudoaneurisma e com membro bem perfundido, a conduta costuma ser conservadora, com observação clínica e reavaliação seriada. A ideia é simples: se o sangue continua passando e não há sinal de lesão expansiva, o organismo pode evoluir bem sem agressão adicional. No caso da artéria braquial, que é um vaso de calibre relevante para o membro superior, a cirurgia fica reservada para lesões com isquemia, sangramento ativo, oclusão, pseudoaneurisma, transecção ou piora do estado vascular. Um flap íntimal pequeno e não obstrutivo, isolado, em paciente estável, entra no grupo das lesões que podem ser acompanhadas. Por isso, o mais apropriado é observar e dar alta em 24 horas se não houver mudança no exame vascular. Na prática, o que manda é o exame do membro: pulsos, perfusão, dor desproporcional, temperatura, enchimento capilar e qualquer déficit neurológico. Se tudo permanece estável, a conduta expectante evita uma cirurgia desnecessária, que sempre traz risco de trombose, infecção e lesão adicional. Em trauma, menos às vezes é mais, desde que você esteja vigilante. O raciocínio é compatível com a abordagem clássica da cirurgia vascular e do trauma: lesões arteriais mínimas e sem repercussão hemodinâmica local podem ser observadas com controle clínico e, se necessário, exame de imagem de seguimento.