Mãe relata que há 2 anos, seu filho agora com 7 anos, começou a apresentar um “ olho pequeno e fundo ” e “cabeça virada”, sem causa aparente. Criança saudável, sem alterações neurológicas ou intelectuais. Ao exame ocular foi constatado acuidade visual melhor corrigida de 20/20 no OD e de 20/30 no OE. Esotropia esquerda de 05∆. Ducções normais e leve limitação da abdução do OE em levoversão. Fixava em dextroversão com torcicolo compensador. Sem outras alterações oculares, sem diminuição da fenda palpebral esquerda em dextroversão. Havia uma notável enoftalmia esquerda com diferença D/E medida pelo exoftalmômetro de Hertel de 4 mm., leve hipotropia esquerda, assimetria facial e diplopia homônima. Foram solicitados exames de imagem para esclarecimento diagnóstico. Assinale a opção que indica a suspeita mais provável.
- A)Síndrome do Seio Silencioso.
Certa: a síndrome do seio silencioso causa enoftalmia progressiva, hipotropia e assimetria facial por atelectasia do seio maxilar com colapso do assoalho orbitário.
- B)Síndrome de Horner.
Errada: a síndrome de Horner dá miose, ptose e anidrose, não enoftalmia estrutural com alteração do seio maxilar.
- C)Síndrome de Parry-Romberg.
Errada: a síndrome de Parry-Romberg cursa com atrofia hemifacial progressiva, mas não explica tão bem a alteração orbitossinusal descrita.
- D)Síndrome de Duane, tipo II.
Errada: a síndrome de Duane tipo II tem limitação de abdução com retração do globo e fissura palpebral na adução, o que não foi encontrado aqui.
- E)Síndrome de Moebius.
Errada: a síndrome de Moebius envolve paralisia congênita de nervos cranianos, especialmente facial e abducente, sem o padrão de enoftalmia progressiva por colapso do seio maxilar.
Gabarito: A
A suspeita aqui é de síndrome do seio silencioso, um quadro oftalmológico e rinossinusal que costuma aparecer de forma insidiosa, muitas vezes em criança ou adulto jovem, com enoftalmia progressiva, hipotropia discreta e assimetria facial. O nome engana: o problema não é no olho em si, mas no seio maxilar, que vai colabando e “puxando” o assoalho orbitário para baixo. Na prática, o olho parece “pequeno e fundo” porque a órbita perde suporte inferior. Isso explica a enoftalmia, a leve limitação de abdução, a diplopia e até o torcicolo compensador. A motilidade pode estar quase normal, então o achado mais chamativo é justamente o globo afundado e a diferença facial, como no enunciado. O diagnóstico costuma ser confirmado por imagem, geralmente tomografia de seios da face e órbitas, que mostra atelectasia do seio maxilar, espessamento mucoso e descida do assoalho orbitário. É o tipo de caso em que o olho “denuncia” um problema do nariz e dos seios da face, uma parceria que a banca adora cobrar. Por isso o gabarito é a alternativa A. As outras síndromes até podem causar assimetria ocular ou facial, mas nenhuma encaixa tão bem na combinação de enoftalmia progressiva, hipotropia, diplopia e alteração do suporte orbitário com exames de imagem solicitados para esclarecer lesão sinonasal.