Em relação à trombocitopenia imunológica induzida por heparina, assinale a afirmativa que não representa uma característica da doença.
- A)Ocorre mais frequentemente em pacientes clínicos do que cirúrgicos.
Errada, porque a HIT é mais associada a pacientes cirúrgicos do que clínicos, sobretudo após cirurgias com maior exposição à heparina.
- B)Deve ser suspeitada quando a contagem de plaquetas for ≤100,000/mm3 ou apresentar uma redução ≥50% em relação ao valor basal.
Certa, pois a suspeita é forte quando as plaquetas caem para 100.000/mm3 ou menos, ou quando há redução de pelo menos 50% do valor basal.
- C)Está mais frequentemente associada à heparina não fracionada do que heparinas de baixo peso molecular.
Certa, já que a HIT ocorre com mais frequência com heparina não fracionada do que com heparinas de baixo peso molecular.
- D)As complicações trombóticas venosas são mais comuns do que as arteriais.
Certa, porque as complicações trombóticas venosas são mais comuns do que as arteriais na HIT.
- E)Em pacientes sem exposição prévia, a queda na contagem de plaquetas ocorre tipicamente entre 5 a 14 dias após o início da heparina.
Certa, pois em pacientes sem exposição prévia a queda das plaquetas costuma aparecer entre 5 e 14 dias após iniciar a heparina.
Gabarito: A
A trombocitopenia imunológica induzida por heparina, ou HIT, é uma reação paradoxal: a heparina reduz plaquetas, mas o grande perigo mesmo é trombose, não sangramento. O quadro costuma surgir entre 5 e 14 dias após o início da heparina em quem nunca teve contato recente, e a suspeita cresce quando as plaquetas caem para menos de 100.000/mm3 ou despencam mais de 50% em relação ao basal. Outro ponto clássico é que ela acontece mais com heparina não fracionada do que com as de baixo peso molecular. O gabarito é a letra A porque a HIT não ocorre mais frequentemente em pacientes clínicos do que em cirúrgicos. Na prática, o risco é maior em pacientes cirúrgicos, especialmente após cirurgias cardíacas e ortopédicas, além de outros cenários com maior exposição à heparina e ativação plaquetária. Ou seja: o enunciado inverteu a lógica mais cobrada. Quanto às complicações, o medo principal é trombose venosa, que aparece com mais frequência do que a arterial. Então, quando você vê queda importante de plaquetas durante uso de heparina, pense em HIT antes de achar que é apenas um efeito laboratorial sem importância. Aqui, plaqueta baixa e trombose gostam de andar juntas, infelizmente. Em provas, a banca costuma cobrar esse conjunto clássico: início em 5 a 14 dias, queda de 50% ou para menos de 100 mil, maior associação com heparina não fracionada e predominância de trombose venosa. Se você memorizar essa receita, a questão fica bem menos traiçoeira.