O algoritmo diagnóstico da embolia pulmonar requer primeiramente a estimativa da probabilidade clínica da doença, para então orientar a indicação dos exames subsequentes. Neste contexto, muitos escores já foram elaborados, como o de Wells e Genebra. Assinale o achado abaixo que está associado a uma maior probabilidade diagnóstica de embolia pulmonar em pacientes com suspeita clínica da doença.
- A)Cirurgia ortopédica há 3 meses.
Cirurgia ortopédica recente é fator de risco para tromboembolismo, mas isoladamente não é o achado clínico mais associado à maior probabilidade diagnóstica no momento da suspeita.
- B)Frequência respiratória > 24 irpm.
Frequência respiratória elevada sugere desconforto respiratório, porém é um achado inespecífico e menos forte do que sinais de TVP na estimativa de probabilidade clínica.
- C)Hemoptise.
Hemoptise pode ocorrer na embolia pulmonar e entra em alguns escores, mas tem peso menor do que sinais clínicos de trombose venosa profunda.
- D)Edema unilateral de membro inferior sugestivo trombose venosa profunda.
Edema unilateral de membro inferior sugere trombose venosa profunda e aumenta de forma importante a probabilidade clínica de embolia pulmonar.
- E)Frequência cardíaca > 70 bpm.
Frequência cardíaca acima de 70 bpm não é o ponto de corte usado nos escores clássicos, que consideram taquicardia em valores bem mais altos.
Gabarito: D
Na suspeita de embolia pulmonar, o primeiro passo do algoritmo é estimar a probabilidade clínica. Isso serve para decidir se o paciente vai direto para exames de imagem, se precisa de D-dímero, ou se o caminho é outro. Em provas, os escores de Wells e Genebra aparecem justamente para organizar essa triagem inicial. O ponto-chave é que alguns achados pesam mais porque sugerem trombose venosa profunda como fonte do êmbolo. Entre eles, o edema unilateral de membro inferior é um achado clássico e aumenta bastante a suspeita de embolia pulmonar, já que a doença costuma vir de um trombo venoso migrando para o pulmão. Por isso, a alternativa D está correta: edema unilateral de membro inferior sugestivo de TVP é um achado fortemente associado à maior probabilidade diagnóstica. No escore de Wells, por exemplo, sinais clínicos de TVP somam pontos importantes e empurram o paciente para uma categoria de maior probabilidade pré-teste. As outras opções até aparecem em critérios de escores, mas não têm o mesmo peso ou estão mal calibradas no enunciado. Em prova, pense assim: quanto mais o quadro grita "trombo venoso na perna", mais a suspeita de embolia pulmonar sobe. A clínica manda, e depois os exames entram para confirmar.