Com relação à síndrome de hiper-hemólise associada à doença falciforme, analise as afirmativas a seguir. I. Corresponde à hemólise pós-transfusional tanto das hemácias transfundidas quanto das hemácias do próprio indivíduo. II. A presença de múltiplos alo-anticorpos anti-eritrocitários está quase sempre presente no plasma das pessoas que desenvolveram a complicação. III. Uma das medidas básicas em pacientes que desenvolveram a complicação é evitar ao máximo novas transfusões no paciente. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa marca apenas a afirmativa I. Ela descreve corretamente a síndrome de hiper-hemólise associada à doença falciforme, em que a transfusão desencadeia destruição das hemácias transfundidas e também das hemácias do próprio paciente, com queda da hemoglobina até abaixo do nível pré-transfusional. O problema é que a III também está correta, porque evitar novas transfusões é uma conduta básica quando a complicação já ocorreu.
- B)I e II, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas I e II. A I está correta porque a hiper-hemólise envolve hemólise dos eritrócitos do doador e dos eritrócitos autólogos, e não apenas das células transfundidas. Já a II erra ao sugerir que aloanticorpos anti-eritrocitários estão quase sempre presentes, pois muitos casos de hiper-hemólise ocorrem sem anticorpos detectáveis ou com Coombs direto negativo.
- C)I e III, apenas.
A alternativa traz I e III, que são as afirmativas corretas. A I corresponde ao mecanismo característico da hiper-hemólise, com destruição das hemácias transfundidas e das próprias hemácias do paciente. A III também está certa porque, diante da síndrome, novas transfusões devem ser evitadas ao máximo, já que podem agravar a hemólise e piorar ainda mais a anemia.
- D)II e III, apenas.
A alternativa combina II e III. A III expressa uma medida terapêutica importante, pois, após o início da hiper-hemólise, transfundir novamente pode intensificar a destruição eritrocitária e aumentar o risco clínico. O erro está na II, porque não é verdade que múltiplos aloanticorpos anti-eritrocitários estejam quase sempre presentes; em muitos pacientes a complicação acontece sem anticorpos identificáveis.
- E)I, II e III.
A alternativa inclui as três afirmativas, mas a II compromete o conjunto. Embora I e III retratem corretamente a síndrome, a II exagera ao afirmar que a presença de múltiplos aloanticorpos é quase sempre encontrada, quando na prática isso pode não ocorrer e até o estudo imuno-hematológico pode vir negativo. Por isso, a opção fica incorreta ao assumir uma característica que não define de forma consistente essa complicação.
Gabarito: C
A síndrome de hiper-hemólise associada à doença falciforme é uma complicação grave e meio traiçoeira das transfusões. O ponto central é que, depois da transfusão, o paciente passa a destruir não só as hemácias recebidas, mas também as próprias hemácias. Ou seja, a hemoglobina pode cair até abaixo do valor pré-transfusional, o que já acende o alerta. Na prática, isso a diferencia de uma reação hemolítica transfusional comum. Aqui, a hemólise é mais intensa e o organismo entra em um ciclo ruim: transfundir mais pode piorar o quadro em vez de resolver. Por isso, a afirmativa I está correta. A afirmativa II está errada porque a presença de múltiplos aloanticorpos anti-eritrocitários não está quase sempre presente. Eles podem aparecer, mas muitas vezes os testes são negativos ou não explicam completamente o quadro. Então não dá para tratar isso como regra fixa. A afirmativa III está correta: uma medida básica é evitar ao máximo novas transfusões, salvo situações de extrema necessidade. O manejo costuma envolver suporte clínico e, em muitos casos, imunomodulação, mas o raciocínio principal é não alimentar a hemólise com mais sangue. Por isso, o gabarito é C, apenas I e III.