Paciente do sexo feminino, 62 anos, procura atendimento com queixa de cansaço e episódios de palpitações há 4 meses. História prévia de diabetes mellitus tipo 2, faz uso de metformina. Sem outras queixas. Nega perda de peso. Exame físico: lúcida, orientada no tempo e no espaço, hipocorada, anictérica, afebril, hidratada. PA 110 x 70mmHg, FC 82bpm, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações significativas. Abdome sem alterações significativas ao exame. Exames laboratoriais com anemia hipocrômica e microcítica, ferritina 9ng/mL, ferro sérico 32ug/L, bioquímica sem alterações significativas. A conduta mais adequada no momento é
- A)prescrever sulfato ferroso.
Errada, porque o ferro pode ser necessário, mas em mulher de 62 anos com anemia ferropriva o mais importante é investigar a causa, especialmente sangramento gastrointestinal.
- B)indicar transfusão de concentrado de hemácias.
Errada, pois ela está estável, sem sinais de anemia grave aguda ou instabilidade hemodinâmica que justifiquem transfusão de concentrado de hemácias.
- C)prescrever ácido fólico.
Errada, porque a anemia é microcítica e hipocrômica com ferritina baixa, padrão de deficiência de ferro, e não de deficiência de folato.
- D)solicitar ecocardiograma.
Errada, pois o ecocardiograma não esclarece a causa da anemia ferropriva nem é a prioridade diante do quadro descrito.
- E)solicitar endoscopia digestiva.
Certa, porque anemia ferropriva em paciente idosa deve levar à investigação de perda crônica de sangue no trato gastrointestinal, e a endoscopia é exame apropriado para isso.
Gabarito: E
Nesta questão, o ponto central é reconhecer uma anemia ferropriva em paciente adulta e, principalmente, entender que em mulher de 62 anos isso não deve ser tratado como algo “automático” sem investigar a causa. Ela tem anemia microcítica e hipocrômica, com ferritina baixa e ferro sérico baixo, o que fecha bem deficiência de ferro. Em adulto mais velho, a primeira preocupação é procurar perda crônica de sangue, e o trato gastrointestinal é uma das fontes mais importantes. Por isso, antes de sair apenas passando ferro, o passo mais adequado é investigar a origem da deficiência, com endoscopia digestiva. Em especial, em paciente pós-menopausa ou nessa faixa etária, anemia ferropriva é sinal de alerta para lesão gastrointestinal, como úlcera, gastrite erosiva, pólipo ou neoplasia. A lógica clínica aqui é: anemia ferropriva em adulto sem causa óbvia = procurar sangramento oculto até prova em contrário. A reposição de ferro costuma ser feita depois ou junto da investigação, mas não substitui a busca pela causa. Isso é clássico de prova: a banca adora testar se você lembra que “tratar o número” sem entender o motivo pode atrasar o diagnóstico de uma lesão séria. O raciocínio é doutrinário e alinhado à prática clínica: anemia ferropriva em paciente sem explicação aparente exige investigação do tubo digestivo, especialmente em idade avançada. Então, o gabarito E está correto porque a conduta mais adequada no momento é solicitar endoscopia digestiva para investigar a provável fonte de perda crônica de ferro. A paciente está hemodinamicamente estável, sem sinais de gravidade imediata, então não há indicação de transfusão, e as características laboratoriais não apontam para deficiência de folato.