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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente do sexo feminino, 62 anos, procura atendimento com queixa de cansaço e episódios de palpitações há 4 meses. História prévia de diabetes mellitus tipo 2, faz uso de metformina. Sem outras queixas. Nega perda de peso. Exame físico: lúcida, orientada no tempo e no espaço, hipocorada, anictérica, afebril, hidratada. PA 110 x 70mmHg, FC 82bpm, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações significativas. Abdome sem alterações significativas ao exame. Exames laboratoriais com anemia hipocrômica e microcítica, ferritina 9ng/mL, ferro sérico 32ug/L, bioquímica sem alterações significativas. A conduta mais adequada no momento é

Gabarito: E

Nesta questão, o ponto central é reconhecer uma anemia ferropriva em paciente adulta e, principalmente, entender que em mulher de 62 anos isso não deve ser tratado como algo “automático” sem investigar a causa. Ela tem anemia microcítica e hipocrômica, com ferritina baixa e ferro sérico baixo, o que fecha bem deficiência de ferro. Em adulto mais velho, a primeira preocupação é procurar perda crônica de sangue, e o trato gastrointestinal é uma das fontes mais importantes. Por isso, antes de sair apenas passando ferro, o passo mais adequado é investigar a origem da deficiência, com endoscopia digestiva. Em especial, em paciente pós-menopausa ou nessa faixa etária, anemia ferropriva é sinal de alerta para lesão gastrointestinal, como úlcera, gastrite erosiva, pólipo ou neoplasia. A lógica clínica aqui é: anemia ferropriva em adulto sem causa óbvia = procurar sangramento oculto até prova em contrário. A reposição de ferro costuma ser feita depois ou junto da investigação, mas não substitui a busca pela causa. Isso é clássico de prova: a banca adora testar se você lembra que “tratar o número” sem entender o motivo pode atrasar o diagnóstico de uma lesão séria. O raciocínio é doutrinário e alinhado à prática clínica: anemia ferropriva em paciente sem explicação aparente exige investigação do tubo digestivo, especialmente em idade avançada. Então, o gabarito E está correto porque a conduta mais adequada no momento é solicitar endoscopia digestiva para investigar a provável fonte de perda crônica de ferro. A paciente está hemodinamicamente estável, sem sinais de gravidade imediata, então não há indicação de transfusão, e as características laboratoriais não apontam para deficiência de folato.

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