Uma criança do sexo feminino com 6 anos de idade é levada ao consultório de ginecologia por surgimento do broto mamário unilateral á direita há nove meses. Ao exame físico foi constatado estágio II de Tanner na mama direita e estágio I à esquerda. Não foram encontrados pelos pubianos ou axilares. Assinale a opção que indica a melhor conduta para esse caso.
- A)Fazer a retirada cirúrgica completa do broto pelo risco de evolução para câncer de mama.
Errada: retirada cirúrgica não tem indicação para broto mamário isolado e não é feita por risco de câncer de mama nessa situação.
- B)Iniciar análogo de GnRH para não prejudicar a estatura final da criança.
Errada: análogo de GnRH é reservado para puberdade precoce central confirmada ou fortemente suspeita, não para telarca isolada sem progressão.
- C)Fazer seguimento atentando para possível surgimento de outras manifestações puberais.
Certa: o quadro sugere telarca isolada/variante do desenvolvimento, cuja conduta inicial é acompanhar a criança e observar possível progressão puberal.
- D)Prescrever cabergolina por via oral para suspensão do estímulo mamário.
Errada: cabergolina trata hiperprolactinemia, e não existe indicação para suspender broto mamário desse jeito.
- E)Analisar a dosagem sérica de FSH, LH, testosterona e prolactina.
Errada: exames hormonais podem ser úteis se houver suspeita de puberdade precoce, mas não são a melhor conduta inicial em quadro isolado e sem outros sinais.
Gabarito: C
Em uma criança de 6 anos, o aparecimento isolado de broto mamário, sem pelos pubianos ou axilares e sem outros sinais de maturação sexual, levanta muito mais a hipótese de uma variante benigna do desenvolvimento do que de puberdade precoce verdadeira. Aqui, o dado-chave é que houve apenas telarca, inclusive unilateral, sem progressão clínica evidente para outros caracteres sexuais secundários. Nesses casos, a melhor conduta costuma ser acompanhar a evolução, com reavaliação clínica periódica para ver se surgem outros sinais puberais, como crescimento acelerado, aparecimento de pelos, odor axilar, aumento do volume mamário bilateral ou avanço de idade óssea. Em outras palavras: nem toda mama que resolve aparecer cedo pede uma “correria hormonal”. A puberdade precoce central é definida pelo início antes dos 8 anos em meninas, mas o diagnóstico não é feito só pela idade. É preciso correlação com progressão puberal e, quando indicado, exames complementares. Quando existe apenas telarca isolada, sem outros achados, a conduta inicial é observação, porque muitos casos não evoluem para puberdade precoce verdadeira. Por isso, o gabarito é a alternativa C. Ela traduz exatamente a conduta correta: seguimento clínico atento, sem tratamento imediato desnecessário e sem exames invasivos de rotina num quadro aparentemente isolado e estável.