Paciente masculino, 64 anos, internado com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio, com boa resposta à trombólise, evoluiu um dia após o início dos sintomas de infarto com dor torácica, ventilatório-dependente, agravada por inspiração profunda e aliviada quando o paciente flete o tórax anteriormente, além de febre baixa. Ao exame paciente com fácies de dor, hemodinamicamente estável, sem esforço respiratório. Presença de atrito cardíaco no exame cardiovascular e sem alterações no exame pulmonar. Assinale a opção que indica o diagnóstico mais provável para esse quadro clínico.
- A)Pneumonia.
Pneumonia é improvável porque não há achados pulmonares ao exame e a dor descrita é típica de pericardite, não de infecção pulmonar.
- B)Miocardite.
Miocardite não explica tão bem o atrito cardíaco nem a dor ventilatório-dependente com melhora ao fletir o tórax.
- C)Pericardite.
Correta, porque a dor pleurítica, o alívio ao inclinar-se para frente, a febre baixa e o atrito cardíaco são clássicos de pericardite aguda pós-infarto.
- D)Endocardite.
Endocardite costuma cursar com febre persistente, sopro e sinais sistêmicos, não com esse padrão típico de dor pericárdica.
- E)Dissecção da aorta torácica.
Dissecção de aorta geralmente causa dor súbita e intensa, muitas vezes com irradiação e assimetria de pulsos, o que não é o quadro descrito.
Gabarito: C
Depois de um infarto agudo do miocárdio, especialmente nos primeiros dias, pode surgir uma complicação clássica: a pericardite aguda pós-infarto. Ela costuma aparecer com dor torácica em pontada, ventilatório-dependente, piora com inspiração profunda e melhora quando o paciente se inclina para frente. É quase a dor “didática” da pericardite, porque o pericárdio inflama e qualquer movimento respiratório irrita ainda mais a região. Neste caso, o quadro fecha bem com esse diagnóstico: dor pleurítica, febre baixa, paciente hemodinamicamente estável e, principalmente, atrito cardíaco ao exame. Esse atrito é um achado bem típico de pericardite e ajuda muito na prova. O pulmão normal também afasta causas infecciosas respiratórias, como pneumonia. Em contexto de pós-infarto, a pericardite pode ocorrer por extensão da inflamação para o pericárdio, sendo uma complicação reconhecida do IAM. Na prática e na literatura clássica de clínica, o raciocínio é clínico: dor característica + atrito pericárdico + relação temporal com o infarto apontam para pericardite. Então, o gabarito é a letra C. A banca quer que você reconheça o padrão da dor pericárdica e não caia na tentação de chamar toda dor no peito pós-IAM de reinfarto ou de problema pulmonar. Aqui, o corpo já entregou a resposta com bastante elegância.