Paciente feminina, 59 anos, história prévia de hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, hipotireoidismo e obesidade, em uso de losartana, anlodipina, sinvastatina e levotiroxina. Procura atendimento na emergência com quadro de dor torácica tipo aperto com irradiação para membro superior esquerdo, que dura mais de 30 minutos, de forte intensidade, associada a sudorese e náuseas. Tem história familiar de corononariopatia. Ao exame está lúcida, orientada no tempo e no espaço, corada, febril, eupneica. PA: 130 x 70mmHg; FC: 85bpm; FR: 16irpm. Exame cardiovascular e respiratório sem alterações. Eletrocardiograma evidenciou supradesnivelamento de ST de V1 a V3. Assinale a opção que indica a parede cardíaca provavelmente acometida nesse quadro.
- A)Antero-septal.
Correta: supra de ST em V1 a V3 é padrão de acometimento antero-septal.
- B)Posterior.
Errada: infarto posterior costuma dar alterações espelhadas em V1 a V3, como infra de ST, e não supra nessas derivações.
- C)Inferior.
Errada: parede inferior se relaciona com DII, DIII e aVF, não com V1 a V3.
- D)Apical.
Errada: apical não é a correlação clássica para esse padrão eletrocardiográfico cobrada na questão.
- E)Lateral.
Errada: parede lateral se associa a DI, aVL, V5 e V6, e não às precordiais iniciais.
Gabarito: A
Este quadro é típico de síndrome coronariana aguda com supradesnivelamento do segmento ST, ou seja, um infarto agudo do miocárdio com supra. Quando o ECG mostra elevação de ST em determinadas derivações, você consegue localizar a região do coração mais provavelmente atingida pela artéria coronária envolvida. Aqui, o supra em V1 a V3 aponta para acometimento da parede antero-septal, que corresponde principalmente ao septo interventricular e à porção anterior do ventrículo esquerdo. Na prática, as derivações V1 e V2 olham mais para o septo, e V3 já começa a “enxergar” a parede anterior. Por isso, a associação V1-V3 é clássica de localização antero-septal. É aquele tipo de questão em que o ECG praticamente entrega o mapa do problema, sem precisar de telepatia cardiológica. As demais localizações não batem com esse traçado: parede inferior costuma aparecer em DII, DIII e aVF; lateral em DI, aVL, V5 e V6; posterior geralmente sugere alterações espelhadas em V1 a V3, como infra de ST e onda R predominante; e apical não é a melhor leitura topográfica quando a banca quer a correlação clássica do ECG. Portanto, o gabarito é A, porque o supradesnivelamento de ST em V1 a V3 localiza o infarto na parede antero-septal.