Ao analisar o trajeto fistuloso anal durante o ato operatório com um estilete, foi identificado o orifício cutâneo externo da fístula a 3 cm da borda anal, no quadrante anterior esquerdo da região perianal, com o trajeto fistuloso retilíneo até o orifício fistuloso interno na altura da linha pectínea. Durante a realização da fistulotomia, verificou-se que o trajeto fistuloso estava localizado através dos esfíncteres anais interno e externo, envolvendo 20% deste último. Trata-se de uma fístula
- A)interesfincteriana.
Errada, porque a fístula interesfincteriana corre apenas entre o esfíncter interno e o externo, sem atravessar o esfíncter externo.
- B)transesfincteriana baixa.
Certa, porque o trajeto atravessa os dois esfíncteres e envolve só 20% do esfíncter externo, compatível com fístula transesfincteriana baixa.
- C)transesfincteriana alta.
Errada, pois a transesfincteriana alta envolve maior porção do esfíncter externo, geralmente acima do limite usado para classificar como baixa.
- D)supraesfincteriana.
Errada, porque a supraesfincteriana sobe acima do esfíncter externo antes de se dirigir à pele, o que não foi descrito no enunciado.
- E)extraesfincteriana.
Errada, já que a extraesfincteriana não segue o trajeto típico atravessando os esfíncteres anais interno e externo.
Gabarito: B
A classificação das fístulas anais depende de onde o trajeto passa em relação aos esfíncteres. Isso parece detalhe anatômico, mas na prática é o que define a cirurgia e o risco de comprometer a continência. O ponto central aqui é olhar dois dados: o trajeto em relação aos esfíncteres e a quantidade de esfíncter externo envolvida. Quando o trajeto atravessa o esfíncter interno e o externo, a fístula é transesfincteriana. Se esse trajeto cruza apenas uma pequena porção do esfíncter externo, em geral até cerca de 30% dele, ela é considerada baixa; se envolve porção maior, passa a ser alta. No caso descrito, o trajeto atravessa os dois esfíncteres e compromete 20% do esfíncter externo, então é uma fístula transesfincteriana baixa. As outras categorias ajudam a não confundir: a interesfincteriana fica entre os esfíncteres, a supraesfincteriana sobe acima do esfíncter externo antes de alcançar a pele, e a extraesfincteriana não percorre o complexo esfincteriano de forma típica. Aqui o enunciado praticamente entrega o mapa do trajeto, basta ler com calma, sem deixar a anatomia fazer pegadinha. Esse é um tema clássico de cirurgia/proctologia em prova, muito cobrado por classificação anatômica. A resposta B está correta porque o trajeto passa pelos esfíncteres interno e externo, mas atinge apenas 20% do externo, o que caracteriza uma fístula transesfincteriana baixa.