Sobre parvovirose na gravidez, é correto afirmar que
- A)em 80% dos casos a gestante tem sintomas.
Errada: a gestante frequentemente é assintomática ou tem quadro leve, então não se pode afirmar que 80% terão sintomas.
- B)a maioria dos fetos infectados tem resolução espontânea.
Certa: a maioria dos fetos infectados evolui com resolução espontânea, embora exista risco de anemia e hidropisia em alguns casos.
- C)é indicação de abortamento terapêutico.
Errada: parvovirose materna não é indicação de abortamento terapêutico; a conduta é vigilância fetal.
- D)deve ser iniciado uso de espiramicina em todos os casos.
Errada: espiramicina não trata parvovirose, sendo usada em outro contexto infeccioso, como toxoplasmose.
- E)o doppler da artéria umbilical diagnostica anemia fetal.
Errada: o doppler da artéria umbilical não é o exame de escolha para diagnosticar anemia fetal, que é melhor suspeitada pela artéria cerebral média.
Gabarito: B
A parvovirose na gravidez, causada pelo parvovírus B19, costuma preocupar mais pelo risco fetal do que pela mãe. Na gestante, a infecção pode passar despercebida ou parecer um quadro viral leve, com febre baixa, mal-estar e exantema, então não é algo que costuma “gritar” sintomas em 80% dos casos. O ponto central é que o vírus pode atravessar a placenta e atingir precursores eritroides do feto, provocando anemia fetal e, em casos mais graves, hidropisia. Mesmo assim, a maioria das infecções fetais evolui bem e se resolve espontaneamente, sem necessidade de intervenção invasiva, desde que haja seguimento adequado com ultrassonografia e avaliação doppler, sobretudo da artéria cerebral média, que é o exame mais útil para suspeita de anemia fetal. Por isso, o gabarito é a alternativa B. A conduta é acompanhamento obstétrico e vigilância fetal, e não medidas automáticas como abortamento terapêutico ou antibiótico. Inclusive, espiramicina não tem papel aqui, porque ela é usada em outros contextos infecciosos, como toxoplasmose, e não em parvovirose. Resumindo a lógica de prova: parvovirose na gestação pede observação e monitorização fetal, não pânico e nem tratamento “de prateleira”.