Paciente, masculino, 50 anos, apresenta há 3 meses dor, unilateral, orbital, definida como “profunda”, em ataques, geralmente, noturnos, uma a duas horas após o início do sono. Estas crises são acompanhadas de rinorreia, miose, lacrimejamento e discreta ptose palpebral do mesmo lado da face em que a dor ocorre. Os episódios podem ser desencadeados por ingesta alcoólica e cessam com inalação de oxigênio a 100%. O provável diagnóstico deste paciente é o de cefaleia
- A)hípnica.
Errada: cefaleia hípnica ocorre durante o sono, mas não costuma ter dor orbital intensa com sintomas autonômicos ipsilaterais típicos.
- B)numular.
Errada: cefaleia numular é uma dor em área pequena e circunscrita do couro cabeludo, sem o padrão autonômico descrito.
- C)em salva.
Certa: o quadro é típico de cefaleia em salva, com crises unilaterais orbitárias, sinais autonômicos e resposta ao oxigênio.
- D)clavus hystericus.
Errada: clavus hystericus é uma dor em ponto fixo do couro cabeludo, geralmente breve e sem essa apresentação autonômica.
- E)tipo tensional ou tensional.
Errada: cefaleia tensional é mais bilateral, em pressão/aperto, e não costuma vir com rinorreia, miose ou lacrimejamento.
Gabarito: C
A dor descrita é praticamente o retrato clássico da cefaleia em salva, uma das cefaleias trigêmino-autonômicas. Ela costuma aparecer em ataques muito intensos, unilaterais, geralmente orbitários ou periorbitários, com sensação de dor profunda, e vem acompanhada de sinais autonômicos do mesmo lado da dor, como lacrimejamento, rinorreia, miose e ptose. É aquela cefaleia que não fica quieta: o paciente costuma ficar agitado durante a crise, diferente da enxaqueca, em que muitos preferem ficar parados no escuro. Outro detalhe que praticamente entrega o diagnóstico é o padrão temporal: crises noturnas, frequentemente 1 a 2 horas após o início do sono, em surtos que duram semanas ou meses. Além disso, o álcool é um gatilho clássico durante o período ativo da doença. Na prática, isso ajuda muito a separar de outras cefaleias primárias que não têm esse comportamento tão característico. O fato de cessar com oxigênio a 100% também é uma pista muito forte. O tratamento abortivo da cefaleia em salva inclui oxigênio de alto fluxo e triptanos, e a resposta ao oxigênio é um achado muito cobrado em prova. Então, juntando dor unilateral orbital intensa, sintomas autonômicos ipsilaterais, gatilho por álcool e melhora com oxigênio, o quadro fecha com cefaleia em salva. As demais alternativas não combinam com esse padrão. As cefaleias hípnica, numular, clavus e tensional têm características bem diferentes, principalmente na localização, nos sintomas associados e na resposta terapêutica. Aqui, a banca colocou vários nomes conhecidos só para ver se você reconhece o desenho clássico da cefaleia em salva sem cair no espelho d'água.