Paciente do sexo feminino, 62 anos, obesa, procura atendimento na emergência com quadro de dor abdominal há 4 dias, em quadrante superior direito, associada a náuseas, vômitos e febre. Tem história prévia de dores parecidas, principalmente após refeições gordurosas, mas que resolvia espontaneamente após algumas horas. Exame físico: corada, anictérica, afebril, apresenta dor severa em quadrante superior direito. PA 130X80 mmHg, FC 90 BPM, Tax 37,8 ºC; Hemograma com 22.000/mm3 leucócitos. Assinale a opção que indica o diagnóstico mais provável para o caso descrito.
- A)Colelitiase biliar.
Errada, porque a colelitíase pode causar cólica biliar, mas não explica bem febre, leucocitose e dor persistente por 4 dias.
- B)Pancreatite crônica.
Errada, porque pancreatite crônica costuma cursar com dor epigástrica recorrente, má digestão e perda funcional, não esse quadro típico de vesícula inflamada.
- C)Colangite aguda.
Errada, porque colangite aguda geralmente vem com icterícia e sinais de obstrução das vias biliares, o que não aparece no caso.
- D)Colecistite aguda.
Certa, porque o conjunto dor em quadrante superior direito, febre, vômitos, história de crises pós-gordura e leucocitose é típico de colecistite aguda.
- E)Cálculo ureteral.
Errada, porque cálculo ureteral costuma causar dor em flanco com irradiação para a virilha e sintomas urinários, não quadro biliar.
Gabarito: D
O quadro descreve a evolução clássica de um problema biliar que começou como cólica biliar e, desta vez, não melhorou sozinho. Em pessoas com obesidade, mulher e idade mais avançada, a chance de doença por cálculos na vesícula é bem alta, e a dor em quadrante superior direito após refeição gordurosa é quase o cartão de visita desse tema. Na cólica biliar, a dor costuma ser episódica, ligada à alimentação e melhora em poucas horas, sem grande repercussão inflamatória. Aqui, porém, a dor já dura 4 dias, veio com febre, vômitos e leucocitose importante, o que aponta para inflamação da vesícula, não apenas para obstrução passageira. Isso é muito mais compatível com colecistite aguda. O exame físico reforça a hipótese: dor intensa em quadrante superior direito e sinais inflamatórios sistêmicos. O fato de ela estar anictérica ajuda a afastar colangite aguda, que costuma cursar com icterícia e, às vezes, a tríade de Charcot (dor, febre e icterícia). Como não há icterícia nem descrição de colestase, a via biliar principal não é a principal suspeita. Portanto, o gabarito é a alternativa D. Em prova, pense assim: dor biliar repetida e curta sugere cálculo na vesícula; dor persistente, febre e leucócitos altos sugerem vesícula inflamada. A banca gosta dessa virada de chave, como quem troca um susto passageiro por uma inflamação de verdade.