Na unidade de terapia intensiva, o paciente hepatopata crônico pode ter perfil pró-trombótico, neutro ou pró-sangramento. Considerando as alterações laboratoriais a seguir, I. Fibrinogênio < 150, II. Plaquetas < 50.000, III. INR ou RNI > 1,5, assinale a opção que indica as alterações que estão associadas a maior risco de sangramento nesse paciente.
- A)I, apenas.
Errada, porque fibrinogênio baixo aumenta risco de sangramento, mas não é o único achado relevante entre os itens listados.
- B)II, apenas.
Errada, porque plaquetas abaixo de 50.000 realmente aumentam o risco de sangramento, mas a alternativa ignora o fibrinogênio baixo.
- C)I e II, apenas.
Certa, porque fibrinogênio < 150 e plaquetas < 50.000 estão associados a maior risco de sangramento no hepatopata crônico.
- D)I e III, apenas.
Errada, porque o INR/RNI acima de 1,5, isoladamente, não é um bom preditor de sangramento na doença hepática crônica.
- E)I, II e III.
Errada, porque o INR não deve ser contado como marcador isolado de maior risco hemorrágico nesse contexto.
Gabarito: C
No hepatopata crônico, a hemostasia fica em equilíbrio instável: ele pode sangrar, trombosar ou ficar aparentemente “neutro”. O ponto mais importante é que alguns exames laboratoriais parecem assustadores, mas nem sempre traduzem risco real de sangramento. Isso é bem clássico em UTI: o INR pode subir e, ainda assim, não ser um bom marcador isolado de hemorragia no paciente com doença hepática crônica. O que mais pesa para sangramento são achados que realmente reduzem a capacidade de formar coágulo, como plaquetas muito baixas e fibrinogênio baixo. Plaquetas abaixo de 50.000 diminuem a formação do tampão plaquetário, e fibrinogênio abaixo de 150 reduz a base para a fibrina, que é o “cimento” do coágulo. Esses dois parâmetros, especialmente quando juntos, apontam para maior risco hemorrágico. Já o INR ou RNI acima de 1,5 não é um bom preditor isolado de sangramento no hepatopata crônico. Na cirrose, há queda de pró e anticoagulantes ao mesmo tempo, então o INR fica “torto” e não conta a história toda. Por isso, a banca quer que você reconheça que o dado laboratorial realmente associado a maior risco de sangramento aqui é o fibrinogênio baixo e a trombocitopenia importante. Assim, o gabarito C está correto porque I e II são os achados mais ligados a sangramento, enquanto o INR isoladamente não entra como critério confiável nesse contexto.